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A perda de mobilidade começa antes da perda da autonomia

Jovem Pan ·
A perda de mobilidade começa antes da perda da autonomia

É comum associarmos a perda da autonomia ao envelhecimento avançado, quando uma pessoa já depende da ajuda de terceiros para realizar atividades do dia a dia. No entanto, a dificuldade para subir escadas, caminhar distâncias que antes pareciam simples, levantar-se de uma cadeira ou abandonar atividades físicas por causa da dor são sinais que não são observados ou atribuídos apenas à idade, quando podem indicar alterações do aparelho locomotor que merecem investigação.

No consultório, vejo com frequência pacientes que procuram atendimento por causa de uma dor localizada, mas cujo problema vai além daquela articulação. O joelho dolorido, a lombalgia persistente ou a limitação para caminhar costumam ser manifestações de alterações relacionadas ao funcionamento do corpo como um todo e que, se não forem identificadas precocemente, podem comprometer a mobilidade e, mais adiante, a independência.

É justamente por isso que preservar a capacidade de movimento tem sido um dos principais objetivos da Ortopedia. Quando uma pessoa não consegue se movimentar por causa da dor ou da limitação física, perde massa muscular, equilíbrio, capacidade cardiovascular e confiança para realizar tarefas simples. Esse tipo de situação favorece o sedentarismo e aumenta o risco de doenças como diabetes, hipertensão, osteoporose, sarcopenia e problemas cardiovasculares. Cuidar da mobilidade, portanto, significa cuidar da saúde como um todo.

Uma das mudanças mais importantes na Ortopedia é compreender que a dor nem sempre está onde o problema começou. Diante de um paciente, nosso papel não é apenas identificar a articulação que dói, mas entender por que aquele sintoma apareceu, como ele interfere no movimento e quais adaptações o organismo passou a fazer para compensá-lo.

O aparelho locomotor funciona como um sistema integrado. Músculos, tendões, ligamentos, articulações e o controle neuromuscular trabalham de forma coordenada para manter o equilíbrio e permitir que o corpo se movimente com eficiência. Quando uma dessas estruturas deixa de funcionar adequadamente, outras passam a compensar essa alteração, muitas vezes sem que a pessoa perceba.

É por isso que a origem da dor nem sempre coincide com o local onde ela se manifesta. Um paciente pode procurar atendimento por causa de uma dor no joelho quando o problema está relacionado ao quadril, assim como uma lombalgia persistente pode estar associada à perda de mobilidade do tornozelo. Com o tempo, essas compensações sobrecarregam outras regiões do corpo e favorecem o surgimento de novos sintomas.

Essa também é uma das razões pelas quais os exames de imagem nem sempre explicam completamente o quadro clínico. Radiografias, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas continuam sendo ferramentas indispensáveis, mas registram a anatomia em repouso. No dia a dia, o corpo está em movimento, caminhamos, subimos escadas, carregamos peso, mudamos de direção e permanecemos longos períodos em pé. Muitas alterações biomecânicas só se tornam evidentes quando avaliamos o corpo executando exatamente essas funções.

A incorporação de novas tecnologias ampliou nossa capacidade de compreender essas alterações.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.

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