Flávio Bolsonaro vira alvo de novo pedido de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) virou alvo de um novo pedido de investigação criminal à Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, após a revelação de que seu escritório de advocacia recebeu R$ 4 milhões de uma banca comandada por Edvaldo Nilo de Almeida, advogado que dependia da aprovação do Senado para ser reconduzido ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) .
A notícia de fato, apresentada nesta quarta-feira (21) pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), também pede a apuração de eventual corrupção ativa por parte de Edvaldo Nilo, que transferiu os valores à sociedade de advocacia do senador nos meses que antecederam a votação.
Flávio participou da deliberação, realizada em 12 de novembro de 2025, sem declarar impedimento.
O documento, obtido pela Fórum , pede à PGR a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, o rastreamento dos R$ 4 milhões e a apuração de uma eventual relação entre os pagamentos milionários e o exercício do mandato parlamentar.
A representação também solicita que os fatos sejam examinados em conexão com uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao senador e ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo da família Bolsonaro.
R$ 4 milhões e um voto no Senado A suspeita levantada por Rui Falcão tem como ponto central a sequência de pagamentos realizados pelo escritório Nilo & Almeida Advogados Associados à Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.
Segundo documentos fiscais revelados pelo Metrópoles e analisados na representação, foram emitidas duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, em 6 de agosto e 17 de outubro de 2025.
Ambas trazem apenas a descrição genérica de “Assessoria Jurídica”, sem identificar os clientes atendidos ou os serviços que justificariam os valores.
A segunda transferência ocorreu em 21 de outubro, apenas 22 dias antes de o Senado votar a recondução de Edvaldo Nilo ao CNMP.
Em 12 de novembro, o advogado teve seu nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 26 votos a 1, e posteriormente no plenário, por 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção.
Flávio Bolsonaro participou da votação, sem declarar impedimento.
Como o escrutínio foi secreto, os registros públicos não permitem identificar o sentido de seu voto.
Segundo o Metrópoles, entretanto, o senador votou favoravelmente à indicação tanto na CCJ quanto no plenário.
A representação destaca que o artigo 306 do Regimento Interno do Senado exige declaração de impedimento quando um parlamentar tem interesse pessoal na matéria submetida à votação.
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