Brasil todo sente estragos de bets - mulheres negras ainda mais
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Um estudo sobre apostas esportivas mostra um quadro "devastador" de vício, endividamento e violência dentro de casa, com impacto mais pesado para mulheres pretas e pardas, diz Thais Bilenky no A Hora , do Canal UOL .
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Segundo Bilenky, a pesquisa 'Mulheres e Bets' ouviu mais de 2.000 pessoas em todo o Brasil e também reuniu relatos em grupos de mulheres para entender por que jogam, como apostam e quais são os efeitos do vício.
O retrato tirado desse grande estudo é devastador porque as mulheres se viciam, elas se endividam, elas presenciam violência em casa e fazem autoviolência também, muitas vezes no desespero, na doença mental que o vício gera. Então é um quadro dramático que a pesquisa retrata. Porém, como tudo neste Brasilzão de Deus, a clivagem racial mostra o tamanho do buraco, porque mulheres pretas e pardas sentem e relatam em vários aspectos na pesquisa os impactos das bets, do vício de modo geral, mais do que mulheres brancas. Thais Bilenky
Uma das conclusões destacadas é a percepção de que as apostas já afetam a vida familiar. No total, 63% dos entrevistados disseram que as apostas estão "acabando com as famílias", afirma Bilenky.
A grande conclusão talvez seja o fato de que as apostas estão acabando com as famílias. Essa foi uma pergunta que foi feita para a qual 63% homens e mulheres responderam que sim. Só que entre as pessoas pretas, 69% disseram a mesma coisa. Thais Bilenky
Entre as mulheres, a taxa chega a 67%, segundo os números citados por Bilenky. Para José Roberto de Toledo, isso sugere que "quem tá sofrendo mais, tá vendo mais o problema", mesmo com a maioria dos homens também concordando.
O estudo também dimensiona o alcance das bets no país. De acordo com Bilenky, 49% dos brasileiros apostam ou já apostaram; entre as mulheres, o índice é de 42%.
Quando o recorte é de cor/raça (autodeclaração na classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE), a população parda aparece com 52% que apostam ou já apostaram, seguida por pessoas pretas (49%) e brancas (45%), pontua Bilenky.
Nos dados específicos de mulheres, Bilenky afirma que 39% das mulheres brancas apostam ou já apostaram; entre mulheres pretas, 37%; e entre mulheres pardas, 45%.
O impacto financeiro aparece com força no recorte de renda e raça. Bilenky diz que, entre mulheres de classe C, 60% afirmam dever dinheiro; nas classes D e E, 62%. Já 62% das mulheres pardas se declaram endividadas, e 69% das mulheres pretas dizem estar endividadas.
O vício de mulheres em bets agravou-se muito na pandemia, como nos homens também. Quando as pessoas perdem emprego, ficam dentro de casa, precisam continuar pagando boleto e não têm fonte de receita para isso, passam a apostar. Muitas delas passam a apostar porque conseguiram pagar a conta de luz, mas é aniversário do filho e ela quer comprar um bolo de aniversário ou quer levar o filho para conhecer a praia pela primeira vez.
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