Flávio Bolsonaro nunca trabalhou?
Filho mais velho de Jair Bolsonaro, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) se graduou em Direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), sediada no Rio de Janeiro, e em empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Embora conste em perfis do senador que ele também é pós-graduado em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a instituição veio a público e desmentiu oficialmente a informação.
Ele nunca teve um emprego fora do eixo político: iniciou a carreira aos 19 anos como assistente técnico da liderança do Partido Progressista Brasileiro (PPB), em Brasília.
A questão é que, à época de seu primeiro emprego na política, Flávio não comparecia à função , já que cursava uma faculdade presencial e estagiava em outro lugar no Rio de Janeiro.
O cargo, ocupado entre 2000 e 2002, foi descrito como funcionalismo fantasma, situação em que o contratado não comparece ao local de trabalho nem desempenha qualquer atividade.
Em 2001, Flávio recebia, como funcionário fantasma em Brasília, um salário registrado de R$ 4.712, o que equivale a cerca de R$ 13.500 em valores corrigidos para o ano de 2019, mostra uma reportagem da BBC.
Flávio foi eleito para o primeiro mandato como deputado estadual já em 2002 e, depois, reeleito em 2006, em 2010 e em 2014.
Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tornou-se próximo do policial Adriano da Nóbrega, envolvido na milícia conhecida como Escritório do Crime, a quem Flávio homenageou com a concessão da Medalha Tiradentes, entregue pela Alerj a pessoas e entidades que prestaram serviços públicos de relevância.
À época, Nóbrega havia sido preso por assassinar um guardador de carros.
Leia mais: Flávio Bolsonaro e as milícias, o que se sabe sobre os vínculos do candidato com investigados – Revista Fórum Em discursos proferidos na Alerj e em declarações públicas durante sua carreira como deputado, Flávio defendia a legalização das milícias e votou contra a instalação da CPI das Milícias, comissão parlamentar que investigava grupos paramilitares e milícias que tinham ligação com políticos fluminenses.
“O Estado não tem capacidade para estar nas quase mil favelas do Rio.
Dizem que as milícias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes”, disse o então deputado.
Também foi acusado, durante o mandato estadual, de praticar as rachadinhas, o repasse de parte dos salários de assessores do gabinete ao parlamentar como exigência para a ocupação dos cargos.
O caso veio à tona quando Flávio nomeou para seu gabinete a mãe e a ex-mulher do policial Adriano da Nóbrega.
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