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Tatuapé: o caminho do tatu que virou o bairro de luxo da zona leste

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Tatuapé: o caminho do tatu que virou o bairro de luxo da zona leste

Antes dos edifícios e do perfil de alto padrão, o Tatuapé era uma região rural, marcada por matas, pastos e caminhos que levavam à Penha.

O nome vem do tupi: tatu-apé, "caminho de tatu", numa referência às trilhas associadas aos animais que percorriam a região.

Em 1560, o explorador e fundador de Santos, Brás Cubas, cruzou o Ribeirão Tatuapé em busca de ouro, em terras indígenas. Mais de um século depois, em 1668, o padre Mateus Nunes de Siqueira recebeu uma sesmaria e iniciou um povoado. A casa construída por ele permanece até hoje e abriga a Casa do Tatuapé.

A paisagem começou a mudar no fim do século 19. O italiano Benedito Marengo instalou um grande parreiral que abastecia São Paulo com uvas. Poucos anos depois, Anália Franco levou sua associação assistencial para a antiga Chácara Paraíso, área que décadas mais tarde daria origem ao Jardim Anália Franco.

A ferrovia, inaugurada em 1875, aproximou o Tatuapé do restante da cidade e acelerou a urbanização. Em 1926, o Corinthians comprou parte da antiga Fazenda São Jorge e, dois anos depois, inaugurou o Estádio Alfredo Schürig, a Fazendinha. O local deu origem ao atual Parque São Jorge, enquanto São Jorge se tornou o padroeiro do clube.

Com os bondes, a Avenida Celso Garcia se consolidou como principal eixo do bairro. A partir da década de 1930, fábricas como Santista e Tabacow atraíram trabalhadores e deram ao Tatuapé um forte perfil operário.

Entre as décadas de 1940 e 1970, famílias de imigrantes e trabalhadores prosperaram nas indústrias e construíram patrimônio sem deixar o bairro. Essa transformação ajudou a criar as bases para a mudança que viria depois.

No fim dos anos 1970, antigas fábricas e áreas desocupadas começaram a dar lugar a edifícios. O centro comercial se deslocou da Celso Garcia para a Rua Tuiuti e a Praça Sílvio Romero, enquanto empreendimentos como o Condomínio Chácara Anália Franco marcaram a nova fase.

Enquanto o neoclássico predominava em outros bairros nobres, o Tatuapé desenvolveu uma linguagem própria, com grandes varandas, vidro e elevadores panorâmicos.

Assim, o antigo Caminho de Tatu chegou ao século 21 com um dos skylines mais marcantes de São Paulo e uma história que vai da agricultura e das fábricas ao mercado imobiliário de alto padrão. Fontes: Tatuapé: A valorização imobiliária e a verticalização residencial no processo de diferenciação sócio-espacial. Dissertação de Mestrado, Taísa da Costa Endrigue (- FAU USP - 2008). Ideologia e imaginários entre o planejamento e o patrimônio: uma perspectiva histórica do subúrbio paulistano a partir do Tatuapé (1970-2020). Dissertação de Mestrado, Lucas Chiconi Balteiro (FAU USP - 2025) e entrevista com autor. Altos do Tatuapé: Novos ricos, mercado imobiliário e crime organizado. Trabalho Final de Graduação, Larissa Fava dos Santos (FAU USP - 2025) e entrevista com a autora. Acervo Folha De S.Paulo; Prefeitura de São Paulo e Web Rádio Câmara São Paulo

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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