Chamar Anne Frank de ‘vitimista’ revela desconhecimento da história
“Não que ela se vitimiz… melhor eu não falar.” Foi assim, com a frase pela metade, que uma jovem justificou ter eleito O Diário de Anne Frank o pior livro que leu neste ano.
O vídeo, gravado para o TikTok durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, viralizou.
A internet completou a palavra.
A repercussão chegou às instituições.
O Museu do Holocausto de Curitiba e a Federação Israelita publicaram notas no Instagram na quarta-feira, 16.
Lembraram que o diário é o registro de uma jovem judia perseguida pelos nazistas e que relatar o sofrimento não significa transformar a condição de vítima em identidade.
Falar em vitimismo diante desse livro é desconhecer a história que ele conta.
Anne começou a escrever em 12 de junho de 1942, dia em que completou 13 anos e ganhou um livro de autógrafos com capa de pano xadrez.
Decidiu transformá-lo em diário.
“Espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda”, pediu no primeiro dia.
A autora escreveu as páginas escondida dos nazistas até os 15 anos e não sobreviveu para vê-las publicadas.
Nas páginas, não há vitimismo.
Há uma adolescente que sonhava ser escritora e que confidenciava os pensamentos do seu dia, como contaria a uma amiga.
Endereçava seus textos a Kitty, personagem da série de livros juvenil Joop ter Heul .
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