Google despenca 13% após balanço; lucro cai e buscas desaceleram
As ações da Alphabet, dona do Google, registravam queda de 13,38%, a US$ 281,41, na cotação exibida pelo TradeMap às 10h53 desta quinta-feira (29), antes da abertura regular do mercado americano. A companhia apresentou queda do lucro no terceiro trimestre e desaceleração do negócio de buscas, enquanto os investimentos em inteligência artificial continuam aumentando.
O lucro líquido da Alphabet caiu 24% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 26,5 bilhões. A receita, por outro lado, cresceu 25%, para US$ 127,6 bilhões, impulsionada principalmente pela expansão dos serviços de computação em nuvem.
Apesar da reação negativa das ações, Itaú BBA e UBS destacam sinais de retorno dos investimentos em inteligência artificial, especialmente no Google Cloud. A principal dúvida é se esse crescimento será suficiente para compensar a desaceleração das buscas e os gastos cada vez maiores com infraestrutura.
Perda contábil com a SpaceX contribuiu para a queda do lucro. Segundo o Itaú BBA, em relatório da equipe liderada por Stephano Gabriel, a Alphabet reconheceu uma perda não realizada de US$ 8,7 bilhões com sua participação na empresa espacial de Elon Musk, após uma revisão do valor do investimento.
Perda não significa que a Alphabet vendeu sua participação. O ajuste representa uma redução no valor contábil do investimento, sem necessariamente envolver saída de dinheiro. Nas operações, o desempenho foi mais favorável: o lucro operacional cresceu 30%, para US$ 40,6 bilhões.
Negócio de buscas desacelerou e preocupou investidores. A receita dessa divisão, responsável por aproximadamente metade do faturamento da Alphabet, cresceu 12% em relação ao ano anterior, abaixo dos 17% registrados no segundo trimestre e das expectativas do mercado.
Google atribuiu a desaceleração a fatores temporários. A administração citou efeitos cambiais, mudanças nas regras europeias de isenção alfandegária para pequenas encomendas e a normalização da atividade após a Copa do Mundo. O Itaú BBA alerta, porém, que parte dessas pressões pode continuar no quarto trimestre.
Itaú BBA mantém avaliação positiva sobre a Alphabet. Os analistas consideram que a companhia tem condições de adaptar seu negócio de buscas à expansão dos agentes de inteligência artificial, ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos usuários.
Google Cloud mais que dobrou sua receita. O faturamento da divisão de computação em nuvem cresceu 103% em relação ao terceiro trimestre de 2025, acelerando em comparação com a expansão de 82% registrada no segundo trimestre. O aplicativo Gemini também ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais.
UBS vê sinais de retorno dos investimentos em inteligência artificial. Em análise de Ulrike Hoffmann-Burchardi, Mark Haefele e equipe, o banco avalia que o crescimento dos serviços de nuvem mostra a capacidade das grandes empresas de tecnologia de transformar os gastos com IA em novas receitas.
A aceleração do crescimento da nuvem demonstra a capacidade das grandes empresas de tecnologia de gerar retorno sobre seus investimentos em IA. UBS, em relatório
Investimentos em infraestrutura mais que dobraram no trimestre.
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