Alexander Zverev é um grandíssimo tenista, e isto não está aberto a debate
Dois títulos de slam. Seis finais disputadas neste nível. Sete títulos de Masters 1000. Uma medalha de ouro olímpica nas simples. Duas conquistas de ATP Finals. Número 2 do mundo (e só não foi número 1 muito por conta de uma lesão grave). Alexander Zverev conquistou tudo isto jogando contra Federer, Nadal, Djokovic, Sinner e Alcaraz. Encarou duas grandes gerações e alcançou feitos deste porte. Inquestionável.
O segundo slam, conquistado neste domingo, no US Open, sobre Ben Shelton, mostrou um Sascha maduro. Sóbrio. Consistente como em seus dias mais... normais! Não, Zverev não precisou ser espetacular para vencer a final. Não teve sequências de pontos espetaculares. Bastou ser... Zverev em sua melhor definição. Um tenista sólido, paciente, que não corre riscos desnecessários e que exige grandes atuações de quem pretende derrotá-lo.
Sascha sacou com a eficiência de sempre e ganhou 85% dos pontos com o primeiro serviço. Superou Shelton nas médias de velocidade. Cedeu break points em apenas dois games. Do fundo de quadra, mostrou a solidez de sempre. Nos ralis, o americano não conseguia incomodá-lo consistentemente nem com seu forehand, muito menos com o backhand. Logo, Shelton precisava arriscar mais. Forçar mais. Buscar mais as linhas. Tentar curtinhas. Ao longo de um jogo em melhor de cinco sets, essas porcentagens pesam mais, e pesaram a favor do campeão.
Não, Zverev nunca vai ser aquele tenista agressivo, que deixa fãs de queixo caído com seguidos pontos espetaculares. Não é seu estilo. Não é de sua personalidade. Sascha tem poder de fogo para ser mais agressivo (e ele já admitiu múltiplas ocasiões saber disto), mas frequente opta pelo caminho menos sexy (às vezes, menos eficiente também, mas esta é outra discussão). Aposta quase sempre na consistência, na solidez, na sobriedade. E foi assim que conquistou este US Open. Com uma postura de veterano. De gente grande.
- Eu gostaria de ter visto Sascha sendo testado diante de uma reação de Shelton, com o americano vibrando mais e inflamando o Estádio Arthur Ashe. No entanto, o americano perdeu esta chance quando voltou mal para o quarto set. Perdeu o saque, perdeu o embalo, perdeu o jogo.
- "Ah, mas a chave de Zverev neste US Open foi fraquíssima". De fato, foi um caminho nada duro para um slam. O alemão, contudo, venceu quem precisou vencer. Não vejo que seja justo tirar seu mérito. Acho até que o Zverev-de-hoje teria boas chances de eliminar o Alcaraz-de-hoje, como Shelton fez. Sascha, contudo, não teve esta chance.
- Até maio, Zverev era considerado por muitos (por mim inclusive) o melhor tenista sem um título de slam. De lá para cá, fez três finais seguidas. Ganhou duas delas e deu um trabalho enorme para Sinner em Wimbledon. Apenas aplausos.
- O discurso de Zverev na premiação também foi de gente grande. A homenagem (também um agradecimento) à mãe foi espetacular. Mais aplausos.
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