Juros futuros longos sobem com risco fiscal no radar
Os juros futuros médios e longos encerraram esta quinta-feira (13) em alta, após voltarem a subir no período da tarde com o risco fiscal no centro das atenções.
O movimento ocorreu mesmo depois de uma abertura mais favorável pela manhã, quando a curva acompanhava a queda dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos.
Na ponta curta, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) ficaram perto do ajuste anterior.
O dado de vendas no varejo de junho, com alta de 0,5% no conceito restrito, acima da mediana de 0,2% do Projeções Broadcast, reforçou a leitura de desaceleração da atividade e manteve na curva a precificação de maior chance de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de setembro.
No fechamento, o DI para janeiro de 2027 ficou em 13,75%, ante 13,749% na véspera.
O DI para janeiro de 2029 subiu para 14,245%, de 14,223%, e o contrato para janeiro de 2031 avançou para 14,53%, contra 14,45% no ajuste de quarta-feira.
Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural! Segundo Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil, os vértices mais longos seguem embutindo prêmio de risco fiscal.
Na avaliação dele, o PLP dos Combustíveis aprovado pelo Congresso teve efeito neutro e o mercado continua à espera de medidas mais concretas de ajuste.
A Warren avaliou que o projeto reúne efeitos fiscais em duas direções: amplia incentivos aos setores de fertilizantes e combustíveis e autoriza antecipações de gastos, ao mesmo tempo em que incorpora mecanismos de contenção do crescimento das despesas no ano seguinte.
Além do fiscal, o mercado também passou a monitorar a decisão dos Estados Unidos de incluir o Brasil no grupo de "Nível 2 – Integração Econômica Significativa" com a China.
Para Flávio Serrano, economista-chefe do BMG, e Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, a medida elevou a percepção de risco e contribuiu para a abertura da curva.
Pela manhã, os DIs recuavam com os Treasuries, após o índice de preços ao produtor dos EUA reduzir expectativas de alta de juros pelo Federal Reserve.
No mercado doméstico, o Tesouro vendeu 16,11 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), de 16,15 milhões ofertadas, e a totalidade de 2 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) no leilão do dia.
O pregão terminou com alta concentrada nos vencimentos médios e longos, em um ambiente de atenção ao quadro fiscal e ao aumento das incertezas no cenário externo.
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