Revelações sobre alerta ignorado por Netanyahu sobre ataque do Hamas acirram eleições em Israel
Israel vive uma campanha legislativa marcada pela polarização em torno de Benyamin Netanyahu e pela onda de choque do 7 de outubro. A eleição de 27 de outubro definirá os 120 assentos da Knesset e ocorre sob tensão crescente, após revelação de que o primeiro‑ministro teria sido alertado sobre uma ofensiva do Hamas dez dias antes do ataque. A disputa envolve dezenas de partidos, alianças complexas e queda recente nas pesquisas do Likud, enquanto Gadi Eisenkot desponta como principal adversário.
Os israelenses se preparam para um dos pleitos mais polarizados das últimas décadas, marcado pela disputa direta em torno de Benyamin Netanyahu e pela onda de choque política do 7 de outubro. A eleição legislativa de 27 de outubro definirá os 120 assentos da Knesset, o parlamento israelense, e ocorre sob tensão crescente, após revelação do jornal Haaretz de que o primeiro‑ministro teria sido alertado sobre uma possível ofensiva do Hamas dez dias antes do ataque. No mesmo dia, doze países, entre eles França e Reino Unido, anunciaram sanções comerciais contra produtos oriundos de colônias israelenses, ampliando a pressão internacional sobre o governo.
A campanha avança em meio a um sistema eleitoral complexo, baseado na proporcionalidade integral e em um limiar de 3,25% dos votos para acesso automático a quatro cadeiras. O modelo favorece a proliferação de pequenos partidos e obriga as grandes legendas a formar alianças para alcançar a maioria de 61 deputados. As listas incluem ex‑militares, familiares de vítimas do 7 de outubro e parentes de ex‑reféns, refletindo a centralidade da segurança nacional no debate público.
O governo atual, considerado o mais à direita da história do país, transformou o pleito em uma disputa binária: apoiar ou rejeitar Benyamin Netanyahu . A coalizão reúne o Likud, partidos religiosos e grupos ultranacionalistas. O Likud, no poder quase ininterruptamente desde 2009, mantém base fiel e militância ativa, que insiste que pesquisas indicando queda do primeiro‑ministro subestimam sua força. O slogan repetido nas primárias de agosto — “o Likud continua o mais forte” — sintetiza a confiança interna.
A fragmentação do eleitorado é profunda. Pesquisas mostram que 38% dos israelenses migraram para a direita desde o 7 de outubro, alguns para posições extremistas. Uri, ex‑policial aposentado e militante histórico do Likud, afirma que votará pela primeira vez em Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional e líder do Otzma Yehudit, partido marcado por discursos racistas. Ben Gvir defende pena de morte para palestinos condenados por matar israelenses judeus e promete ampliar o porte de armas, com meta de 400 mil licenças.
Naftali Bennett tenta atrair eleitores decepcionados com o Likud por meio do partido Beyahad, em aliança com Yair Lapid. A dupla reúne figuras da direita nacionalista e do bloco laico centrista. Entre seus apoiadores, há quem reconheça o legado de Netanyahu, mas defenda renovação após 19 anos de liderança. Bennett aposta na combinação entre experiência administrativa e apelo moderado para recuperar espaço.
Os partidos religiosos ocupam posição estratégica nas negociações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.