Tomonobu Itagaki, aquele que abriu o Japão para o Xbox
Fato: o mercado japonês de games pode ser bem bairrista, principalmente no que diz respeito ao Xbox . O sistema original só pegou tração por lá graças principalmente a Tomonobu Itagaki (1967–2025), fundador do Team Ninja e criador da série Dead or Alive , que acreditou no potencial do console e proveu a Microsoft com lançamentos exclusivos por anos.
Não só a franquia dos jogos de luta conta com lançamentos que nunca saíram do cercadinho de Redmond, como o Xbox recebeu as versões que boa parte do público considera como as melhores dos games 3D da série Ninja Gaiden , um esforço pelo qual a Microsoft nunca deixará de ser grata ao finado desenvolvedor.
Não é segredo que o Japão permaneceu um mercado fechado em si mesmo por um bom tempo, e muito desse sentimento permanece até hoje, o que eventualmente pode ser benéfico a estúdios locais, dependendo do contexto. A Microsoft, no entanto, sofreu e sofre até hoje para vencer a resistência do consumidor médio, que a vê como a companhia gaijin (estrangeira, num sentido MUITO pejorativo) que ousa concorrer com Sony e Nintendo.
Os números por lá chegam a ser ridículos: desde 2002, a Microsoft vendeu menos de 3 milhões de consoles entre suas várias iterações; o líder Nintendo Switch, sozinho, responde por +38,5 milhões de unidades vendidas no país e o PS2, 24,42 milhões. Para dar uma ideia, o Xbox One (todas as versões), o lanterninha da companhia norte-americana no Japão, não chegou a 141 mil unidades.
A Microsoft bem que tentou convencer desenvolvedores japoneses a lançarem games para seus sistemas, mas lá no início ninguém queria nem saber do Xbox, e trabalhar com Nintendo e Sony (de novo, pratas da casa) era mais garantido. Itagaki foi uma das exceções, e mais do que isso, ele acreditou no Xbox original desde o primeiro dia, chegando ao ponto de arriscar tudo:
Quando o Xbox original chegou às lojas em 15 de novembro de 2001, um dos títulos da primeira leva era Dead or Alive 3 , e o fundador do Team Ninja estava tão convencido de que o sistema tinha chances reais de fazer frente ao PS2 e GameCube no cenário global, que o game sequer foi lançado para Arcade, o que foi um choque na época.
Não só isso, a terceira iteração oficial da franquia nunca sequer foi portada para outros sistemas, e só pode ser curtida hoje em sistemas Xbox modernos via retrocompatibilidade. Dead or Alive 4 (2005) seguiu a mesma tendência no Xbox 360 e, com exceção das versões Online (Windows, 2008) e Dimensions (Nintendo DS, 2011), jogadores em outros sistemas só puderam controlar Kasumi, Ayane, Tina, Ryu e cia. mais uma vez em Dead or Alive 5 , lançado em 2012 como um multiplataforma.
Como resultado, Dead or Alive 3 é o título mais vendido da franquia e um dos 10 títulos mais vendidos do Xbox original, e DoA 4 também teve uma recepção expressiva, alcançando mais de 1 milhão de vendas.
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