Fragmentação da direita embaralha disputa ao Senado no Paraná
A disputa pelo Senado no Paraná se desenha com a direita dividida entre quatro candidaturas. Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) disputam o eleitorado conservador, enquanto Gleisi Hoffmann (PT) aparece como a principal opção da esquerda nas pesquisas de intenção de voto.
Dallagnol e Barros são candidatos ao Senado na chapa de Sergio Moro (PL), líder nas pesquisas para o Governo do Paraná. A dupla tem o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Já Curi e Graeml disputam na chapa de Sandro Alex (PSD) e contam com o aval do governador Ratinho Júnior (PSD), que tem alta aprovação no estado.
Nos bastidores, campanhas adversárias apostam em possível inelegibilidade de Dallagnol. Ele foi eleito deputado federal pelo Podemos em 2022, mas teve o registro de candidatura cassado pelo TSE no ano seguinte. O tribunal entendeu que Dallagnol deixou o cargo de procurador do Ministério Público Federal enquanto ainda respondia a procedimentos disciplinares, em uma tentativa de escapar de uma possível punição.
O MP Eleitoral defende que ele possa disputar as eleições deste ano, mas o TSE ainda vai decidir sobre o caso . Aliados admitem que uma eventual saída de Deltan Dallagnol da disputa beneficiaria Filipe Barros, que poderia herdar parte de seu eleitorado, sobretudo os antipetistas.
A candidatura de Cristina Graeml também alterou o cenário. Sob reserva, integrantes de campanhas adversárias avaliam que ela vai "incomodar" e pode conquistar uma parcela do eleitorado conservador no Paraná. Ao mesmo tempo, há quem avalie que ela perdeu capital político ao se filiar ao PSD, partido de Gilberto Kassab e tradicionalmente associado ao centrão.
Graeml surpreendeu ao chegar ao segundo turno da eleição para a Prefeitura de Curitiba em 2024, a primeira de sua carreira. Ela foi derrotada por Eduardo Pimentel (PSD). Na ocasião, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez acenos à candidatura de Graeml, apesar do apoio formal do PL a Pimentel.
A candidata enfrenta resistência dentro de seu próprio grupo político. Pimentel, seu ex-adversário e agora companheiro de partido, tem dito a pessoas próximas que não fará campanha para ela. Em publicações nas redes sociais, ele tem endossado a candidatura de Alexandre Curi. Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba e candidato a vice-governador, também deve manter distância.
Curi aparece numericamente em primeiro na última pesquisa Quaest para o Senado, com 15%. Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, ele tem o apoio de boa parte dos prefeitos do estado. Gleisi Hoffmann aparece com 11%, seguida por Barros e Dallagnol, com 9% cada. Graeml tem 8%. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, há um cenário de empate técnico entre Curi, Gleisi, Barros e Dallagnol. Graeml só não empata com Curi.
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