Protesto por bets: diretoria do Flamengo esnoba sua torcida
O Flamengo entrou em campo ontem estampando no espaço mais valioso de sua camisa a seguinte frase "proibir não é proteger". Trata-se de um protesto adotado por alguns clubes (que não o fizeram na camisa) contra a proibição das bets.
Não bastassem querer continuar recebendo dinheiro de uma indústria que vem desgraçando a vida de famílias brasileiras, ainda escolhem um slogan pior que o outro. Depois do "fim do futebol", proibir não é proteger.
Entendem, então, que há algo de que as pessoas precisam ser protegidas. Apenas o caminho escolhido é, na opinião deles, errado. Um argumento que para em pé menos do que Neymar — que, aliás, foi o grande personagem do empate do Santos com o Flamengo ontem (8), na Vila Belmiro.
Defendem que proibir só vai jogar as pessoas à ilegalidade, como se não fizesse qualquer diferença ser bombardeado constantemente com propagandas chamando para apostar e quase duzentas opções de casas onde deixar esse dinheiro sem obstáculos. Como se fosse igualmente fácil apostar legal e ilegalmente. Como se ter uma marca de bet grudada na camisa do seu time do coração não mudasse nada.
O Fluminense vai se juntar ao rival e colocar o slogan no uniforme para o Fla-Flu de domingo. Atendeu a um pedido da sua bet patrocinadora, em parceria com a bet patrocinadora do Rubro-negro. Juntinhos, finalmente.
O Flamengo era o clube mais bem posicionado para liderar uma mudança positiva. O mais popular, o mais rico, o mais poderoso, o que menos precisa do dinheiro das bets, com seus 2 bilhões de reais em faturamento bruto. Escolheu liderar o movimento em favor de uma indústria responsável por tirar 141 bilhões de reais da economia e também vidas brasileiras. Uma indústria que beneficia meia-dúzia e destrói milhões de pessoas, boa parte dela flamenguistas.
O presidente Bap e seus aliados escolheram a meia-dúzia. Poderiam ter usado o espaço vazio para promover uma ONG, para iniciar uma campanha de doação aos pobres, de proteção às crianças, de combate ao feminicídio, ao racismo, à homofobia. Não faltavam opções. Preferiram proteger o próprio umbigo e ignorar o bem-estar de quem verdadeiramente os sustenta: a torcida.
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