As lições para o Brasil da grave crise imobiliária da Espanha
O mercado imobiliário espanhol atravessa um momento delicado.
A valorização das propriedades, que durante anos foi interpretada como sinal de dinamismo econômico, passou a representar um problema para uma parcela significativa da população.
Já foi pauta de discussão e tema midiático a briga do país com plataformas de aluguel de curta temporada como o Airbnb.
Agora, a Espanha evidencia para todo o mundo a crise imobiliária que está enfrentando.
A situação ganhou repercussão internacional depois que uma aposentada de 87 anos foi retirada do apartamento onde havia vivido por mais de sete décadas, em Madri.
Maricarmen Abascal pagava aproximadamente 500 euros mensais de aluguel, valor protegido por um antigo contrato.
Após a aquisição do imóvel por uma empresa imobiliária, passou a enfrentar uma disputa judicial que terminou com seu despejo, em setembro.
Nesta quarta-feira, 7 de outubro, Maricarmen morreu, sem conseguir retornar à residência.
O episódio provocou manifestações e ampliou uma discussão que já vinha ocupando espaço crescente na sociedade espanhola: até que ponto o mercado consegue absorver a demanda por moradia sem comprometer a capacidade financeira de quem vive nas grandes cidades? O problema tem raízes antigas.
Depois da crise financeira de 2008, a Espanha enfrentou uma retração profunda na construção civil.
Muitos empreendimentos foram interrompidos, empresas deixaram o mercado e a produção de novas unidades demorou a se recuperar.
Enquanto isso, o país voltou a crescer, recebeu novos moradores e consolidou sua posição como um dos principais destinos turísticos da Europa.
A demanda avançou mais rapidamente do que a oferta.
Continua após a publicidade Segundo o Banco da Espanha, o desequilíbrio acumulado entre a formação de novos domicílios e a construção de moradias chegou a aproximadamente 750 mil unidades entre 2021 e 2025.
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