Espanha de luto após colisão de trens que deixou 68 mortos
A Espanha inicia nesta quinta-feira (29) um período de três dias de luto pela morte de pelo menos 68 pessoas na colisão de dois trens ocorrida na quarta-feira, enquanto as equipes de resgate continuam procurando vítimas entre os vagões destruídos do segundo grande desastre ferroviário deste ano no país.
A tragédia, que deixou o país novamente em estado de choque, gerou mais dúvidas sobre a segurança da rede ferroviária nacional. Em janeiro, a colisão de dois trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, deixou 46 mortos.
O acidente de quarta-feira aconteceu a 150 quilômetros ao sul de Madri, quando um trem da companhia estatal Renfe, que havia partido da capital com destino a Sevilha, colidiu com outra composição, da empresa Iryo, que estava parada na via.
"Foi uma pancada muito forte, durou muito tempo", disse Pablo Mejía, de 42 anos, que decidiu procurar um assento mais confortável em outro vagão, o que salvou sua vida. "Acho que nasci de novo", afirmou, com ferimentos no rosto e o casaco manchado de sangue.
Os serviços de emergência, auxiliados por dois guindastes, continuam procurando vítimas entre a massa de ferros destruídos nos vagões mais atingidos.
"Não podemos dar o trabalho por concluído", declarou Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La-Mancha, onde ocorreu o acidente.
Os reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, visitarão nesta quinta-feira os feridos internados em um hospital de Toledo, a quase 70 quilômetros do local do acidente, informou a Casa Real.
No município de Urda, o mais próximo ao local da tragédia, uma escola foi habilitada para receber os parentes das vítimas, que contam com o apoio de funcionários da Cruz Vermelha.
"Serão horas duras e longas", disse Carmen García, psicóloga que atende as famílias no centro improvisado.
"Temos pessoas em estado de choque, que não têm consciência do que aconteceu, pessoas irritadas, pessoas tristes, preocupadas, o luto vai ser complicado", acrescentou.
A Guarda Civil instalou quatro pontos em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para que os familiares das vítimas possam fornecer amostras de DNA para ajudar na identificação. Também foram disponibilizados pontos de doação de sangue em Castilla-La Mancha e Madri.
O pároco de Urda, José Miguel Fernández, também compareceu para prestar apoio às famílias.
"O importante é estar com os familiares das vítimas, que sintam a proximidade, porque as palavras, em um momento como este, não servem para nada", disse.
Na manhã de quarta-feira, ele também compareceu ao local do acidente e disse que viu "uma imagem de desolação, de desesperança, de incerteza, de morte".
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