EUA deportaram 170 haitianos dias antes de massacre com 47 mortos
Os Estados Unidos deportaram 170 haitianos para o Haiti dias antes de um massacre que deixou 47 mortos no país , informou o jornal norte-americano The Washington Post.
O massacre ocorreu no último fim de semana e expôs a violência que atinge a ilha caribenha. Cerca de 22 civis inocentes foram massacrados dentro de uma igreja. Casas foram incendiadas e mulheres foram estupradas, segundo as autoridades. Aproximadamente 50 pessoas foram feitas reféns.
As mortes ocorreram na cidade de Kenscoff, situada nas colinas acima da capital, Porto Príncipe, assolada pela violência. Kenscoff fica ao lado de Pétion-Ville, um subúrbio de classe mais alta que abriga hotéis de luxo e o que resta da comunidade diplomática.
As deportações levam haitianos que viviam nos EUA de volta a um país sob domínio de gangues. O grupo de 170 pessoas chegou ao Haiti poucos dias antes do massacre que deixou 47 pessoas mortas.
As gangues criminosas controlam cerca de 70% de Porto Príncipe e estão expandindo sua atuação para as áreas rurais. Esses grupos têm realizado incursões em terras agrícolas e matado agricultores na região de Artibonite — o celeiro do país — e na região ao sul, nas imediações de Séguin. Mais de 1.400 pessoas foram mortas entre abril e junho, segundo a ONU, e 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas em todo o Haiti.
É para esse cenário que os EUA estão enviando, por via aérea, migrantes haitianos que perderam o status de proteção temporária, conhecido como TPS. O governo Trump insiste que a ilha é segura o suficiente para receber os cerca de 350 mil haitianos que os EUA querem repatriar. Trata-se de pessoas que viviam e trabalhavam legalmente nos EUA sob o TPS. Muitas delas atuam nas áreas de saúde e assistência domiciliar.
A missão internacional apoiada pela ONU para restabelecer a estabilidade na região enfrenta dificuldades um ano após sua aprovação. Em setembro do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um plano, patrocinado pelos EUA, para enviar uma força de 5.550 integrantes destinada a combater as gangues, restaurar a ordem e dar sustentação ao governo incipiente do país.
Essa força de manutenção da paz deveria substituir o contingente policial liderado pelo Quênia. A força queniana foi considerada ineficaz, já que, desde o início, enfrentou dificuldades devido à escassez de pessoal e armamento, além de regras que limitavam sua atuação basicamente a dar apoio a uma polícia local em desvantagem em relação aos armamentos utilizados.
A força apoiada pela ONU chegou com um mandato mais incisivo para combater as gangues e desarmá-las. No entanto, a missão tem sofrido com a falta de recursos e contava com um efetivo de apenas cerca de mil integrantes no mês passado.
O governo do Haiti, liderado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, obteve avanços táticos limitados contra as gangues na região central da capital. Isso se deve, em grande parte, a ataques com drones realizados pela empresa de segurança privada Vectus Global.
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