O que realmente está por trás do medo das grandes empresas de IA?
Por Marcelo Fischer • Editado por Jones Oliveira | 21/09/2026 às 09:30
A possibilidade de a inteligência artificial escapar do controle humano não apareceu em 2026. Executivos e pesquisadores discutem há anos cenários envolvendo ciberataques, armas biológicas e até riscos existenciais.
O que mudou nas últimas semanas foi a intensidade dos alertas, justamente quando as empresas que lideram essa corrida enfrentam custos crescentes, pressão por retorno e precisam convencer investidores de que conseguem desenvolver sistemas cada vez mais poderosos sem perder o controle sobre eles.
O debate ganhou força depois que Jacob Coxon deixou a Anthropic e afirmou que pessoas responsáveis por construir os modelos acreditam seriamente que a tecnologia poderia provocar uma catástrofe.
Evan Hubinger, que lidera pesquisas de alinhamento na empresa, estimou em mais de 10% a possibilidade de a IA “matar todos os humanos” na próxima década . Pouco depois, Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma desaceleração coordenada no avanço das capacidades dos modelos.
Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk apoiaram a discussão. Amodei propôs avaliações independentes dentro dos laboratórios, padrões compartilhados de segurança e cooperação entre países. O argumento é ganhar tempo para entender melhor sistemas que podem avançar mais rápido do que a capacidade humana de controlá-los.
Mas esse temor é realmente novo ou apenas ganhou mais espaço à medida que os modelos ficaram mais avançados?
À primeira vista, pode parecer estranho ver pesquisadores envolvidos diretamente na criação dessas tecnologias deixarem seus empregos e fazerem previsões tão graves em público.
Ao Canaltech , Pedro Burgos, especialista e consultor em inteligência artificial, explicou que esse tipo de preocupação circula no setor há bastante tempo. Pesquisadores costumam discutir o chamado “ P-Doom” , uma estimativa pessoal sobre a probabilidade de uma catástrofe provocada pela IA.
“A noção de que há mais ou menos 10% de chance de dar errado completamente, de maneira catastrófica, não é uma opinião muito bizarra”, afirmou Burgos. Ele lembra que nomes do setor fazem alertas sobre riscos extremos há mais de uma década.
Para o especialista, o momento atual juntou dois fatores: modelos avançando mais rapidamente e uma sociedade mais preocupada com seus efeitos. “Existe um fator de aceleração que está rolando de fato”, disse.
O risco, portanto, não precisa ser ignorado. Isso também não significa que previsões de extinção sejam fatos mensuráveis: os percentuais citados por pesquisadores são estimativas pessoais sobre cenários futuros , cercadas de grande incerteza.
Ao mesmo tempo, a discussão sobre desacelerar surge em um momento financeiramente delicado para o setor.
Dinheiro não deixou de entrar em IA. O problema está no tamanho da conta necessária para continuar na fronteira tecnológica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em canaltech.com.br — o conteúdo pertence a Canaltech.