Xadrez entra no radar do alto rendimento por trabalhar decisão, planejamento e flexibilidade
No esporte de alto rendimento, uma decisão errada pode custar uma partida, uma prova ou um campeonato.
Um passe feito antes do fechamento da defesa, a mudança de estratégia durante uma disputa ou a leitura de um adversário exigem processamento rápido de informações, atenção e capacidade de adaptação.
É nesse conjunto de habilidades que o xadrez aparece como uma possível ferramenta complementar de treinamento cognitivo.
Levantamento divulgado pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE) estimou em cerca de 600 milhões o número de pessoas que praticam a modalidade no mundo.
No cérebro humano, são aproximadamente 86 bilhões de neurônios conectados por trilhões de sinapses — algumas estimativas científicas chegam a cerca de 100 trilhões de conexões.
Durante uma partida, não existe um número cientificamente estabelecido de “sinapses produzidas” pelo xadrez, mas atividades que envolvem memória, planejamento, atenção e tomada de decisão mobilizam essas redes neurais de forma simultânea.
Voltando ao esporte, o jogo não substitui preparação física, técnica, tática ou psicológica, mas exige constantemente planejamento, memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva.
Para a psicóloga Bianca Domingues, que atua com avaliação neuropsicológica e psicoterapia pela abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental, a lógica de uma partida reproduz uma situação recorrente no esporte: planejar uma ação e precisar modificá-la diante da resposta do adversário.
“Quando a gente joga, sabe que precisa flexibilizar estratégias.
Você está querendo fazer uma jogada e a pessoa adversária faz outra.
Então precisa aprender a mudar essa estratégia.
Quanto mais você treina isso no xadrez, mais trabalha a flexibilidade para mudar, alternar tarefas e rever planos também no dia a dia”, afirma em entrevista na Clinica Ser Medicina Integrativa, de São Caetano do Sul (SP).
Essa capacidade de adaptação aparece especialmente em esportes abertos, nos quais o ambiente muda continuamente.
Futebol, basquete, handebol, tênis e modalidades de combate exigem que atletas interpretem movimentos dos adversários e reajam em períodos muito curtos.
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