Vencedor da Palma de Ouro, cineasta Jafar Panahi é condenado a mais de cinco anos de prisão no Irã
O cineasta Jafar Panahi , de 66 anos, foi condenado a mais de cinco anos de prisão por um tribunal iraniano, segundo informações divulgadas pela imprensa local nesta segunda-feira, 27.
O iraniano vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e indicado ao Oscar por Foi Apenas um Acidente também teve os bens confiscados e foi proibido de viajar e usar as redes sociais por dois anos.
“O Tribunal Revolucionário de Teerã condenou meu cliente a cinco anos e um mês de prisão e ordenou o confisco de suas propriedades”, contou o advogado do diretor, Mostafa Nili, à agência de notícias ISNA.
“O tribunal também proibiu o uso de redes sociais por dois anos e o proibiu de viajar por dois anos”, acrescentou.
As acusações conta Panahi não foram divulgadas, mas Nili revelou que soube da condenação durante uma visita ao escritório de execução de sentenças da Promotoria de Cultura e Imprensa.
Ele foi ao local depois de Pahani ter alegado, na última semana, que suas contas bancárias haviam sido congeladas inesperadamente.
Além da condenação à revelia, o cineasta possui outros dois processos em andamento no Irã: uma sentença de um ano de prisão e uma proibição de viagens por dois anos.
As medidas foram impostas ainda em 2025, sob acusação de que o diretor estaria envolvido em atividades de propaganda contra o regime atual iraniano, chefiado por Mojtaba Khamenei.
Continua após a publicidade O advogado do caso afirmou que Panahi retornou ao Irã após a cerimônia do Oscar de 2026, realizada em 15 de março, e permaneceu no país desde então.
Estas não são as únicas ocasiões nas quais o artista já esteve envolvido na Justiça.
Em 2010, o iraniano foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar e viajar por 20 anos.
Na ocasião, a justificativa usada foi a sua participação no funeral de um estudante morto durante os protestos da Revolução Verde, em 2009, e à tentativa de realizar um longa-metragem naquele contexto.
Anos depois, em 2022, o diretor foi preso novamente e passou sete meses em uma das penitenciárias mais conhecidas do Irã, em Evin.
Continua após a publicidade O motivo da condenação foi uma visita que fez ao local para buscar informações sobre os cineastas Mohammad Rasoulof e Mostafa Al-Ahmad, que haviam sido detidos dias antes por criticarem as autoridades em uma carta aberta.
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