Estrela de ‘Honestino’, Bruno Gagliasso clama por ‘mais filmes sobre a Ditadura’
O ano era 1973 e Honestino Guimarães sequer havia completado três décadas de vida quando foi sequestrado e assassinado por agentes da Ditadura Militar, deixando no mundo uma filha de três anos e uma legião de admiradores que manteriam viva sua memória e seus princípios políticos.
Quase meio século depois, a tragédia foi reconhecida como crime político, uma ponte de Brasília foi nomeada em sua homenagem e um documentário inédito foi dirigido por um de seus conhecidos: o premiado Aurélio Michiles, que recrutou Bruno Gagliasso para interpretar o ativista em breves segmentos encenados da produção.
Nesta quinta-feira, 13, Honestino chega aos cinemas do Brasil com a missão de levar a história de seu protagonista para um público ainda maior, confiante de que espectadores se encantarão por ele assim como Michiles, que se aproximou do rapaz décadas atrás, após uma reunião clandestina.
“O Gui, como o chamo, é uma lembrança muito calorosa e afetiva.
Não o imagino como militante ou herói, mas como o amigo que se preocupava comigo, com quem eu discutia música, literatura, política e tudo mais”, pontua o cineasta em entrevista a VEJA.
Bruno Gagliasso e Aurelio Michiles nos bastidores de ‘Honestino’ Pandora Filmes/Divulgação Para ele, fazer o filme era necessário face aos “elogios à Ditadura, aos torturadores e à perda das conquistas trabalhistas e sociais”, mas também como ferramenta de combate ao pessimismo distópico.
“Queria trazer uma versão mais otimista do mundo.
Você pode lutar por seu ideal e dar a vida por ele, como Honestino fez”, explica.
Para Gagliasso, a identificação foi imediata: Continua após a publicidade Bruno, esse documentário talvez não receberia a mesma atenção sem seu rosto no cartaz.
Isso foi parte do que o levou ao projeto? Não penso nisso quando aceito um personagem, e sim no quanto ele pode me enriquecer enquanto ser humano e ator.
Honestino é o tipo de convite impossível de se recusar, principalmente porque acredito em tudo que ele acreditava.
Ele lutava por democracia e liberdade há 50 anos.
Defendemos esses valores até hoje.
Além disso, eu interpretei um torturador em Marighella .
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