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A força das pescadoras no Brasil: mulheres ocupam 50% da pesca

Correio Braziliense ·
A força das pescadoras no Brasil: mulheres ocupam 50% da pesca

Frequentemente associada à força física e ao trabalho em alto mar, a pesca costuma ser vista como um universo predominantemente masculino.

Mas além da diversidade de atribuições na cadeia, que está presente também em comunidades ribeirinhas, por exemplo, a participação das mulheres no ramo é consolidada.

Segundo dados do Ministério da Pesca, representam cerca de 50% do total de pescadores no Brasil: são 892.608 pescadoras artesanais num universo de 1,8 milhão.

A invisibilidade imposta a elas acarreta perdas graves de direitos trabalhistas, de identidade e de acesso a benefícios.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, destaca que as mulheres têm um papel fundamental na pesca artesanal brasileira, pois estão presentes em toda a cadeia da atividade, não apenas na captura, mas também no beneficiamento, na comercialização e na garantia da segurança alimentar das comunidades.

É o caso de Joana Mousinho, 70 anos.

Moradora da cidade de Itapissuma (PE), é pescadora há 62 anos e a primeira mulher eleita presidente de colônia e federação de pescadores no Brasil.

Foi por meio da pesca que ela sustentou quatro filhos e ajudou a criar oito netos e seis bisnetos.

Joana vem de uma família de pescadores artesanais.

Ela conta que, entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres na pesca, está a falta de embarcações.

"Muitas dependem de outras pessoas e, às vezes, precisam pagar para sair e pescar.

Também enfrentamos a falta de estrutura adequada nas casas para cozinhar e beneficiar o pescado, os baixos valores pagos pelo produto e, em alguns momentos, a dificuldade para encontrar compradores", diz.

Joana Mousinho, 70 anos, é a primeira mulher eleita presidente de colônia e federação de pescadores no Brasil (foto: Divulgação/Pescadora de Diretos) A pescadora também sente o peso da desvalorização.

"Hoje está um pouco melhor, mas, no passado, éramos ainda menos valorizadas", pontua.

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