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Política

O cidadão preso no próprio noticiário

Revista Fórum ·
O cidadão preso no próprio noticiário

Em 1966, quase ninguém poderia imaginar um telefone capaz de conhecer nossos hábitos, escolher nossas notícias e decidir a ordem em que o mundo apareceria diante de nossos olhos.

Ithiel de Sola Pool imaginou algo mais importante: o efeito político dessa escolha.

Sessenta anos depois, Jill Lepore recuperou no Guardian aquela advertência esquecida.

Pool previra jornais feitos sob medida para cada leitor e percebeu o preço possível dessa comodidade: cidadãos progressivamente separados uns dos outros, alimentados por informações diferentes e privados, pouco a pouco, de uma cultura comum.

Ele enxergou antes de nós que o problema decisivo não seria a quantidade de informação, mas a possibilidade de cada pessoa viver cercada apenas pela parte do mundo que lhe agradasse.

É difícil reler essa previsão sem reconhecer nossa rotina.

Pool descreveu, antes das redes sociais, um leitor que escolheria assuntos, aprofundaria o que lhe interessasse e descartaria o restante.

Hoje essa seleção deixou de pertencer inteiramente ao leitor.

Sistemas observam cliques, registram permanências, aprendem humores, percebem irritações e devolvem uma realidade cada vez mais parecida com aquilo que já demonstramos desejar.

O risco começa precisamente aí: confundir familiaridade com verdade e repetição com conhecimento.

A realidade sob encomenda Durante anos tratamos as bolhas informativas como acidente produzido por Facebook, X, TikTok e outras plataformas.

A genealogia recuperada por Lepore impede essa explicação confortável.

O risco estava visível no nascimento da era digital.

Em 1958, Pool já participava de experiências destinadas a classificar eleitores e simular comportamentos políticos com computadores.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.

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