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Lula e Flávio mostram o esgotamento dos debates

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Lula e Flávio mostram o esgotamento dos debates

O primeiro debate presidencial de 2026, na Band, que ocorreu no último domingo (23), foi o mais esvaziado da história recente. Dos seis convidados, apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) estiveram presentes. O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, líderes das pesquisas, não foram. Romeu Zema (Novo), que havia confirmado presença, desistiu ao longo do dia, reforçando o time dos ausentes. No mesmo tempo em que acontecia o debate, Lula preferiu uma entrevista à Record. Nos grupos públicos de mensageria, Lula e Flávio dominaram as discussões.

Houve um intenso debate sobre os ausentes, mais puxado pelas militâncias do que nos debates mais amplos sobre política. Entre aqueles que criticaram a ausência, principalmente de Lula e Flávio, a fala mais reproduzida foi a de Renan Santos, que os chamou de "covardes e canalhas" e emendou a lista de escândalos de cada um, desde Lulinha, passando pelo mensalão e fazendo acusações sobre o envolvimento de políticos com Daniel Vorcaro. O argumento de que a ausência é um desrespeito ao eleitor aparece em 8% das mensagens sobre o debate, enquanto a covardia, em quase 6%.

No entanto, quase 10% das mensagens sustentam que Lula acertou ao não participar, tratando o encontro como "show de horrores". Entre bolsonaristas, circulou o argumento de que o adversário de Flávio não estava no estúdio. Entre os assuntos que geraram algum tipo de engajamento está Gilberto Kassab, flagrado dormindo, que corresponde a 5,4% das mensagens, já o ataque de Renan a Janja representa aproximadamente 4,8%.

A pauta que sobreviveu ao debate foi a corrupção, com aproximadamente 15,2% de tudo o que se fala sobre política nos últimos três dias, sendo mais popular do que o próprio debate. O caso Lulinha aparece em 8,6% das mensagens, contra 4,0% do Banco Master e do filme "Dark Horse". Dois terços da conversa sobre escândalos miram o filho do presidente e procuram associar o caso ao presidente Lula. Nesse sentido, quando a esquerda entra no debate, não há negação dos fatos, mas um questionamento dos "vazamentos seletivos" do ministro André Mendonça. Também falam em "lavajatismo 2.0".

A ofensiva petista contra Flávio fica em torno da pergunta "cadê os R$ 61 milhões" e da prestação de contas prometida há quase cem dias. Um vídeo em que jornalistas questionam o senador sobre o tema tem repercutido nos grupos e aponta uma fragilidade a ser explorada ao longo da campanha. Flávio aposta na tentativa de direcionar as atenções para o caso Lulinha, na esperança de que o tema Vorcaro caia no esquecimento.

Nessas condições de candidatos conhecidos e com eleitorado sólido a ausência nos debates parece ser uma estratégia que veio para ficar. O presidente Lula seria o único representante da esquerda e é o incumbente, portanto, seria o principal alvo dos demais candidatos. Flávio Bolsonaro, segundo colocado, tem sua posição desejada por todos os demais pleiteantes presentes no debate.

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