Pantanal entra na fase para quem sonha em dar de cara com uma onça, com cautela
Agosto marca o auge da seca no Pantanal, período em que as águas baixam e escoam pelo Rio Paraguai.
Habituada à sazonalidade, a fauna local se reinventa para garantir o alimento na nova configuração da paisagem.
Entre os animais que alteram seus hábitos está a onça-pintada: com a retração das águas, o maior felino das Américas passa a frequentar mais as margens dos rios e torna-se uma presença mais constante no cenário pantaneiro.
Entre abril e julho, o Pantanal vive a fase da vazante, período em que as águas recuam lentamente em direção aos leitos dos rios, revelando os campos antes alagados.
Na sequência, agosto e setembro marcam o auge da estação seca no bioma, transformando a paisagem à medida que rios e lagoas atingem seus níveis mais baixos.
Segundo estudo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), que monitorou oito onças-pintadas no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, a seca altera a rotina dos animais.
Com a água restrita aos canais principais dos rios e a pequenos corpos d’água, os felinos passam a frequentar mais as margens e praias de areia para caçar e beber água, ficando mais expostos e fáceis de serem avistados.
O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, composto por Ibama, ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Polícia Militar Ambiental de MS, Fundação Municipal de Meio Ambiente de Corumbá, Defesa Civil, IHP (Instituto Homem Pantaneiro) e Jaguarte, atua no acompanhamento e no monitoramento de onças na região do Pantanal.
A equipe aponta que a espécie tem uma forte relação ecológica com os ambientes associados à água no bioma e que alterações no regime hídrico afetam diretamente o comportamento do animal.
“Rios, corixos, baías e outras áreas úmidas influenciam a distribuição das presas, a disponibilidade de recursos e o próprio uso da paisagem pelas onças”, explica o Grupo.
Por isso, a redução na disponibilidade de água pode ocasionar alterações na distribuição e na quantidade de presas.
Essa diminuição de alimento afeta a maneira como a onça interage com seu habitat, já que ela precisa reorganizar suas rotas e frequentar locais diferentes para conseguir caçar.
“Em uma escala mais ampla e de longo prazo, a perda e a alteração desses ambientes também podem afetar a dinâmica populacional da espécie”, alertam os especialistas.
Menos água, mais seca Apesar de o regime das águas ser um fenômeno recorrente no Pantanal, o desmatamento e as mudanças climáticas podem desequilibrar esse processo e, por consequência, atingir o cotidiano da fauna já acostumada à sazonalidade do bioma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.