Neurogenética, neuroimunologia, prevenção e epigenética: as novas fronteiras da ciência
Alex Escobar fala sobre retorno ao trabalho depois do diagnóstico de Miastenia Gravis O envelhecimento da população coloca as doenças neurodegenerativas – sendo a de Alzheimer e de Parkinson as mais conhecidas – na berlinda.
Por isso é tão importante um evento como o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia (NEURO 2026), que acontecerá, entre 7 e 10 de outubro, no Rio de Janeiro.
Ali também serão debatidos muitos temas dessa área do conhecimento que ainda são pouco conhecidos do grande público.
A participação do dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus e do jornalista esportivo Alex Escobar, por exemplo, servirá para dar maior visibilidade a enfermidades cujo tratamento evoluiu de forma significativa nos últimos tempos.
Osvaldo Nascimento, presidente do congresso, membro titular da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Neurologia Divulgação Jesus tem uma doença autoimune rara, chamada polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica.
Nela, o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, a camada protetora que envolve os nervos periféricos, o que impede que os impulsos enviados pelo cérebro cheguem corretamente aos músculos.
Já Escobar é portador de miastenia gravis, outro tipo de doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca os receptores musculares que recebem os sinais nervosos, o que prejudica a contração muscular adequada.
Conversei com o neurologista Osvaldo Nascimento, presidente do congresso, membro titular da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Neurologia, além de professor titular da Universidade Federal Fluminense, que enfatizou a magnitude do evento: “Serão cinco mil participantes, incluindo colegas das academias americana europeia de neurologia, da Mayo Clinic e de Harvard.
O Brasil é uma referência no cenário mundial, tanto na excelência da prática clínica quanto nos tratamentos de ponta.
Além disso, nossa diversidade étnica é fator decisivo para a robustez dos ensaios clínicos.” Ele próprio participará de diversos painéis e abordará, entre outros assuntos, a neurogenética, que estuda como as variações e mutações no DNA interferem no desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso, bem como o surgimento de doenças neurológicas.
Na verdade, trata-se de um campo de conhecimento transversal, presente em todas as áreas da neurologia.
“Hoje é possível silenciar uma proteína disfuncional dentro da célula.
Uma simples injeção subcutânea com ‘caneta’ aplicadora, em intervalos regulares, permite que um tratamento específico de doença genética chegue à célula-alvo, prevenindo a progressão da doença.
O cientista que desenvolveu uma dessas moléculas ‘transportadoras’, com indicação ao prêmio Nobel, estará conosco no NEURO 2026”, afirmou.
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