Como a ciência descobre se alguma coisa realmente funciona?
Doutora em física teórica de partículas, a pesquisadora explica temas científicos para crianças
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Imagine que você percebe que uma planta perto da janela cresce mais rápido do que outra que fica no fundo da sala. Você pode pensar: "É porque ela recebe mais luz!". Pode ser. Mas como descobrir se essa é realmente a explicação? É para responder perguntas como essa que existe a metodologia científica.
Ela funciona um pouco como uma investigação de detetive. Primeiro encontramos algo curioso, depois fazemos perguntas, procuramos pistas e testamos nossas ideias antes de chegar a uma conclusão.
No exemplo da planta, nossa pergunta poderia ser: a quantidade de luz interfere no crescimento? Após pesquisar o que já sabemos sobre o assunto, podemos criar uma hipótese: "Se uma planta receber mais luz, ela crescerá mais". Uma hipótese não é uma certeza. É uma explicação que pode ser colocada à prova.
Para testá-la, poderíamos usar duas plantas parecidas, com o mesmo tipo de terra, a mesma quantidade de água e cuidados semelhantes, deixando uma receber mais luz do que a outra. Assim fica mais fácil descobrir se a luz realmente fez diferença.
Depois medimos as plantas, anotamos os resultados e comparamos . Se nossa hipótese estiver errada, tudo bem. Descobrir que algo não acontece como imaginávamos também é fazer ciência.
Esse caminho costuma envolver observação, pergunta, pesquisa sobre o que já sabemos, hipótese, experimento, coleta de dados, análise, conclusão e divulgação dos resultados. Um detalhe é muito importante: outros pesquisadores podem analisar aquele trabalho e tentar repetir o experimento.
Pense em uma receita de bolo. Se alguém diz que descobriu uma receita incrível, mas nenhuma outra pessoa consegue fazer o bolo crescer seguindo as mesmas instruções, precisamos descobrir o que aconteceu. Na ciência também queremos saber se um resultado pode ser encontrado novamente.
Quando falamos de medicamentos, tudo fica ainda mais cuidadoso. Imagine que cientistas encontrem uma substância que consegue destruir células de um tumor em uma pequena placa no laboratório. Isso é interessante, mas ainda não significa que descobriram um novo remédio. Uma placa com células é muito diferente de um corpo inteiro.
Seria como testar um barquinho em uma banheira e concluir que ele está pronto para atravessar o oceano.
Antes de chegar às pessoas, uma possível nova terapia passa por estudos pré-clínicos, que podem envolver células, tecidos, modelos computacionais e, quando necessário, testes em animais.
Os pesquisadores procuram entender como aquela substância age, qual quantidade pode ser segura e quais problemas ela pode causar.
Se existirem evidências suficientes para continuar, começam os estudos com seres humanos, chamados ensaios clínicos, sempre seguindo regras de segurança e ética .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.