A nova classe média não é mais a mesma (por Hubert Alquéres)
A primeira década do século representou os anos dourados da Classe C, também chamada de Nova Classe Média.
Nesse período, ela tornou-se majoritária, reunindo cerca de 50% da população.
Mais brasileiros passaram a ter acesso a bens de consumo sofisticados, realizaram o sonho do carro zero, puderam, pela primeira vez, viajar de avião e chegaram ao ensino superior.
A partir de 2013, porém, começaram a aparecer os sinais de esgotamento daquele ciclo de mobilidade social.
A Nova Classe Média não voltou ao ponto de partida, mas viu interrompida a trajetória de ascensão dos anos anteriores.
Os padrões de consumo estagnaram e a expectativa de continuar subindo na vida deu lugar à frustração.
O livro O Brasil da Maioria, de Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, ajuda a compreender essa transformação e, sobretudo, o que aconteceu com essa população depois que a mobilidade social perdeu força.
A ascensão da Classe C foi resultado de um processo que atravessou diferentes governos.
Começou com a estabilização da economia e ganhou força na primeira década do século.
A expansão do ensino superior, impulsionada também pelo Prouni e pelo Fies, levou à universidade milhões de brasileiros que antes dificilmente chegavam a ela.
Bolsa Família e outras políticas de proteção social aumentaram a renda dos mais pobres.
O otimismo econômico produziu também uma mudança de comportamento e de expectativas.
Sua melhor tradução cultural talvez tenha sido Avenida Brasil, de 2012.
O cenário e os protagonistas já não eram os apartamentos e personagens da Zona Sul carioca.
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