Tartarugas antigas também aproveitaram recursos vindos do mar e seus ossos guardaram a pista química milhões de anos depois
Assinaturas isotópicas revelam que matéria produzida no oceano atravessava a costa e entrava nas redes alimentares de vertebrados do Cretáceo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Tartarugas que viveram perto das antigas costas norte-americanas durante o Cretáceo carregaram no próprio esqueleto sinais de uma conexão entre terra e oceano. Um estudo publicado em 2026 encontrou tartarugas do Cretáceo com assinaturas isotópicas compatíveis com a entrada de matéria orgânica marinha em ecossistemas costeiros , mostrando que algas, plantas marinhas e outros recursos podiam atravessar a linha da praia e alcançar diferentes níveis da cadeia alimentar.
Os pesquisadores analisaram bioapatita preservada em dentes, ossos e carapaças de vertebrados provenientes de vários depósitos do Cretáceo da América do Norte. Entre os materiais estavam tartarugas de formações costeiras e também exemplares de ambientes mais interiores usados para comparação.
O elemento central foi o carbono. Recursos produzidos no ambiente marinho podem apresentar proporções de carbono-13 diferentes das plantas terrestres C3. Quando um animal incorpora esse carbono pela alimentação, parte da assinatura permanece registrada nos tecidos mineralizados que posteriormente fossilizam.
Não era necessário que todos os animais entrassem no mar para receber carbono marinho. Ondas, tempestades e marés podiam depositar macroalgas, plantas marinhas, carcaças e outros materiais sobre praias, deltas e planícies costeiras. Esses recursos passavam então a ficar disponíveis para consumidores terrestres e semiaquáticos.
A transferência também podia acontecer por várias etapas. Um invertebrado podia consumir matéria marinha depositada na costa, ser comido por outro animal e levar esse carbono adiante. Tartarugas aquáticas ou oportunistas poderiam incorporar recursos diretamente ou por meio de presas.
Tartarugas apareceram em vários dos conjuntos analisados, incluindo as formações Antlers, Cloverly, Dunvegan, Wayan, Woodbine e o membro Mussentuchit da Formação Cedar Mountain. Alguns desses depósitos representam ambientes costeiros, enquanto Cloverly forneceu uma referência predominantemente continental.
Essa comparação é importante porque um valor isotópico isolado pode ter várias explicações. Quando diferentes grupos encontrados próximos à costa mostram enriquecimento semelhante em carbono-13, enquanto animais interiores não apresentam o mesmo padrão, a hipótese de entrada de matéria marinha no ecossistema ganha força.
Não. O estudo publicado na Frontiers in Ecology and Evolution identifica um padrão de subsidiação marinha em ecossistemas costeiros, mas a assinatura isotópica não funciona como uma lista de refeições. Ela mostra a origem provável de parte do carbono incorporado ao organismo.
Também é preciso considerar preservação fossilífera e alterações químicas posteriores. Os pesquisadores analisaram diferentes indicadores para avaliar possíveis efeitos de diagênese.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.