Dirigente do Fed não vê motivo, por enquanto, para altas de juros em 2027 nos EUA
O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, afirmou nesta terça-feira que ainda considera apropriado haver mais uma alta de juros nos Estados Unidos neste ano, mas, no momento, não vê necessidade de que o banco central americano volte a elevar as taxas em 2027.
“Não mudei minha visão de que pode ser adequado realizar mais uma alta de juros”, disse Williams em entrevista à Bloomberg News no Fed de Nova York.
“Neste momento, não vejo razão para acreditar que precisaremos fazer mais do que isso.” Williams afirmou que ainda há sinais de que a inflação desacelerará “consideravelmente” e se aproximará da meta de 2% do Fed no próximo ano, à medida que os efeitos das tarifas comerciais e do choque nos preços de energia diminuam.
Segundo ele, outros indicadores também sugerem uma desaceleração da inflação subjacente, o que deve ajudar a compensar as pressões de preços geradas pela expansão da infraestrutura para inteligência artificial.
Após os comentários de Williams, os rendimentos dos Treasuries dos EUA recuaram ligeiramente.
Os títulos de dois anos, mais sensíveis às expectativas para a política monetária, apagaram uma alta de até três pontos-base.
Leia também Juro do Tesouro vai na contramão do exterior e sobe até 9 pontos-base Prefixado 2032 e títulos IPCA+ variam até 2 pontos-base, enquanto petróleo e rendimentos dos Treasuries recuam e Focus mostra projeção maior para a inflação As declarações colocam Williams em linha com a mediana das projeções divulgadas pelos dirigentes do Fed após a decisão de elevar os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.
Alguns colegas, no entanto, como as presidentes do Fed de Cleveland, Beth Hammack, e do Fed de Dallas, Lorie Logan, já indicaram que acreditam ser necessário mais de um aumento adicional para trazer a inflação de volta à meta de 2%.
Atualmente, investidores apostam que o Fed elevará os juros em dezembro e promoverá mais duas altas em 2027, de acordo com os preços dos contratos futuros dos Fed Funds.
O presidente do Fed de Nova York ressaltou, porém, o elevado grau de incerteza em torno de suas projeções e afirmou continuar acompanhando de perto os impactos da inteligência artificial sobre a inflação.
“Ainda estamos em meados de outubro”, disse.
“Esta economia está sendo afetada por muitos fatores diferentes, e precisamos continuar observando os dados.” Os formuladores de política monetária receberão nesta quarta-feira um novo relatório de inflação ao consumidor, o último antes da reunião dos dias 27 e 28 de outubro.
Mudança de visão em setembro Williams não estava entre os dirigentes que defendiam com mais veemência uma alta de juros antes da decisão de setembro.
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