Alcolumbre planeja perdão a Bolsonaro em troca de votos para reeleição no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), planeja negociar um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela tentativa de golpe de Estado, para conquistar votos da direita e garantir sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027.
A articulação envolveria inicialmente um indulto concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, caso a proposta não avance, a aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional.
A informação foi publicada nesta quarta-feira (28) pelo jornalista Raphael Di Cunto, da Folha de S.Paulo, com base em relatos de dois aliados de Alcolumbre.
Segundo a reportagem, o senador pretende apresentar a proposta como parte de um acordo de pacificação política que também incluiria o compromisso da direita de abandonar a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.
A ideia seria permitir a saída de Bolsonaro da prisão sem necessariamente devolver seus direitos políticos.
Aliados de Alcolumbre defendem que eventual anistia tenha efeitos restritos à esfera penal, para evitar que a medida permita ao ex-presidente disputar novas eleições.
O alcance jurídico de uma proposta desse tipo, entretanto, é controverso.
Alcolumbre pretende levar proposta a Lula O primeiro caminho considerado por Alcolumbre seria convencer Lula a conceder um perdão humanitário ao ex-presidente.
A Constituição atribui ao presidente da República a competência para conceder indultos e comutar penas, embora os requisitos e a validade de uma medida específica possam ser examinados pela Justiça.
Alcolumbre esteve com Lula na segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, acompanhado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O encontro foi confirmado pelo Senado Federal e ocorreu um dia depois da vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a Folha, a proposta de perdão não foi apresentada naquela reunião.
Alcolumbre pretende aguardar os primeiros desdobramentos do cenário político após a eleição antes de abordar o assunto com Lula.
A articulação também levaria em consideração as consequências das notícias sobre a suposta saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, assunto acompanhado pela Revista Fórum .
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