Israel: Era Netanyahu próxima do fim
Na primeira eleição desde 2022 e após os ataques terroristas do Hamas — que resultaram na morte de cerca de 1.200 pessoas em 7 de outubro de 2023 — e do genocídio realizado em Gaza, o povo israelense foi às urnas nesta terça-feira (27) em uma votação que bateu o recorde histórico de participação, chegando a cerca de 77% de comparecimento dos eleitores aptos.
De acordo com diferentes pesquisas de boca de urna divulgadas por diversos canais, a tendência aponta para o fim da Era Netanyahu em Israel.
Dentre 5 pesquisas, apenas 1 levaria a um impasse que favoreceria a Netanyahu.
O quadro mais provável seria um governo de uma frente ampla sionista (que envolve partidos de direita, centro-direita e centro-esquerda), liderado por um militar e ex-primeira ministro, Gadi Eisenkot (Yashar).
Esse cenário dependeria de um voto de confiança do bloco de partidos árabes-israelenses, que tiveram votações expressivas, que não fariam parte do governo — e que, nas últimas eleições, boicotaram majoritariamente os pleitos, mas que seria suficiente para derrubar Netanyahu de vez.
Se em outras ocasiões, o bloco de partidos árabes-israelenses boicotaram eleições, dessa vez, mobilizaram seus eleitores, e o acordo para isolar o bloco governista parece estar mais próximo do que nunca.
Além do partido liderado por Eisenkot (Yashar), a Frente Ampla sionista tem o apoio de nomes fortes, como um outro ex-primeiro-ministro, Nadtali Bennett (B’Yachad de centro-direita), e o presidente Isaac Herzog, ligado aos Democratas (que representa a esquerda sionista, um novo partido organizado a partir de uma fusão do antigo partido Trabalhista com o Meretz, de orientação social-democrata).
Essa frente demonstrou bastante pragmatismo e unidade, mas em termos de conteúdo, deve ter uma hegemonia de direita e centro-direita, dado que não estima mudanças profundas na política militar e geopolítica do país, mas sim na política doméstica com sinalizações a setores liberais e laicos.
A possível saída de Bibi seria um evento importante, mas não representa, por si só, o fim da ocupação de territórios ou uma mudança estrutural na política em relação aos palestinos.
O bloco governista, liderado pelo Likud de Netanyahu (que deve seguir como maior partido), continua tendo apoio de partidos ultraconservadores e religiosos, entretanto não terá condições de formar uma maioria parlamentar.
Das 5 pesquisas citadas, 3 são desfavoráveis ao governo atual, 1 favorável e a pesquisa intermediária seria a do canal i24NEWS, que também mostra um quadro mais favorável à oposição.
Nesse caso, o bloco de Netanyahu alcançaria 55 cadeiras, contra 49 do bloco de Eisenkot e 16 dos partidos árabes – que somados chegariam a até 65 cadeiras – ultrapassando a maioria exigida de 61 cadeiras.
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