Governança da Americanas foi 'sequestrada' por fraudadores, diz ex-CEO
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A governança das Lojas Americanas "foi sequestrada" e alimentada com dados falsos dentro do próprio sistema da empresa, disse Leonardo Coelho, ex-CEO da companhia, no programa Conselho dos Conselhos , do Canal UOL .
Ao comentar o caso, Coelho afirmou que a estrutura de governança era bem avaliada por quem olhava de fora, mas falhou porque conselheiros, auditorias e bancos receberam informações adulteradas. Ele explicou que, na visão dele, a fraude só pôde ser entendida com clareza meses depois do primeiro comunicado ao mercado.
A gente tinha uma estrutura de governança muito boa, certificada, aprovada por todo mundo, mas ao mesmo tempo reconhecer que essa estrutura de governança foi sequestrada e colocada, alimentada com dados falsos. Dados que eram fraudados no sistema mesmo, no ERP mesmo, para passar informações para diversos outros stakeholders que fazem parte do desenho de governança, como auditorias internas, externas, como bancos, como conselho, informações que não eram corretas. Leonardo Coelho
A Justiça Federal acolheu nesta sexta (16) a denúncia do Ministério Público Federal e tornou réus 12 ex-executivos da rede varejista acusados de envolvimento na fraude que levou a empresa a pedir recuperação judicial.
Segundo o ex-CEO, a própria lógica do esquema dificultou a identificação "na época, com a incerteza e com a falta de informação". Ele sustentou que o "risco sacado", citado no comunicado de 11 de janeiro de 2023, não era a fraude em si, mas funcionava como peça que mascarava o problema.
O risco sacado não é a fraude da Americanas. O risco sacado, eu costumo dizer que é quase um antídoto para a fraude da Americanas, que foi uma fraude de rentabilidade, de VPC, do rebate, que é tão comum no varejo. Leonardo Coelho
Coelho disse que, na leitura dele, o "ineditismo" do caso foi a forma como o modelo não "bateu no caixa" para quem acompanhava os números, já que o risco sacado "alimentava esse modelo" sem aparecer como endividamento. "Para quem estava olhando, (...) está tudo normal", afirmou.
Na entrevista, ele também relatou que houve questionamentos dentro do Conselho sobre a existência de risco sacado. Coelho disse que a conselheira Vanessa Lopes perguntou diretamente ao management, inclusive usando sinônimos do termo, e recebeu respostas negativas.
A companhia tem risco sacado? A companhia faz risco sacado? E a resposta dos fraudadores foi que não. Leonardo Coelho
Coelho afirmou ainda que a pergunta ficou registrada. "Está documentado", disse, ao contar que a conselheira repetiu o questionamento em mais de uma reunião e ouviu novamente que a empresa não fazia esse tipo de operação.
Ao falar sobre as medidas após o fato relevante, ele disse que a decisão de criar um Comitê Independente de Investigação foi do Conselho e avaliou que a escolha foi correta, mas apontou duas falhas: não ter definido um teto de gastos e um prazo para entrega do relatório.
Coelho também contestou rumores de que o Comitê de Auditoria não teria atas. "Tinha atas sim", disse, ao afirmar que a empresa tinha mecanismos formais de registro, embora as atas não fossem públicas.
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