Após mortes em abordagens, SP discute protocolos e 6 mil armas de choque
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo fará hoje, às 15h, uma reunião para discutir mudanças nos protocolos de abordagem policial e a compra de seis mil armas de choque. O encontroo ocorre após três mortes de pessoas em aparente crise de saúde mental durante ocorrências envolvendo policiais militares em menos de 15 dias.
A corporação quer comprar aproximadamente mais 6 mil armas de choque para ajudar conter pessoas em surto. Ainda não foram detalhados o estágio da aquisição, o cronograma de compra e distribuição dos equipamentos nem quais mudanças nos procedimentos poderão ser adotadas após a reunião.
Arma de choque foi usada apenas em um dos três casos. Na morte de Antônio Nunes Batista, em 3 de outubro, imagens mostram o homem cair após ser atingido por um dispositivo de eletrochoque. Na sequência, policiais dispararam 24 vezes contra ele. Já nas ocorrências que terminaram com as mortes de Gustavo Munis de Santana, em 10 de outubro, e Camila Pereira da Silva, ontem, as imagens divulgadas não mostram o uso de arma de choque antes dos disparos de arma de fogo.
A reunião também ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação policial em casos semelhantes. Nos outros episódios recentes, homens morreram durante ações da PM em situações descritas como aparentes crises de saúde mental.
Nico defendeu protocolo em caso anterior. Após a morte de Gustavo Munis, 20, em Moema, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a atuação dos policiais não estava fora do protocolo e defendeu a conduta dos agentes. A declaração foi dada enquanto o caso ainda era investigado.
A PM paulista tem protocolo específico para abordagens a pessoas em surto de saúde mental. O Procedimento Operacional Padrão prevê prioridade ao diálogo, manutenção de distância segura e, sempre que possível, apoio de profissionais de saúde. O uso de arma de fogo deve ser reservado a situações em que seja o último recurso.
Antônio Nunes Batista, 40, morreu em 3 de outubro. Ele foi abordado por policiais militares na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, após ser descrito no boletim de ocorrência como estando em aparente surto psicótico. Imagens mostram que um agente usou uma arma de eletrochoque, fazendo Antônio cair no chão. Em seguida, policiais dispararam ao menos 24 vezes contra ele, inclusive quando já estava caído. O homem foi socorrido, mas morreu.
Gustavo Munis de Santana, 20, foi morto em 10 de outubro. A abordagem ocorreu em Moema, na zona sul da capital. Quatro policiais militares fizeram 45 disparos, dos quais 27 atingiram o jovem. Segundo a versão dos agentes, eles confundiram um celular que Gustavo segurava com uma arma. Os policiais foram afastados das atividades operacionais, e a conduta deles passou a ser investigada.
Camila Pereira da Silva, 32, morreu ontem, em Pirituba. Ela foi baleada por um policial militar durante uma abordagem após relatos de que estaria com uma faca e teria ameaçado o ex-companheiro.
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