Polícia investiga vereadora do Paraná por fala contra "nordestinos e baianos"; vídeo
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) abriu um inquérito para investigar a vereadora Salete Kronbauer (PP), de Nova Santa Rosa, no oeste do estado, por suspeita de crime de discriminação e preconceito. A medida atende a um pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR), formalizado na terça-feira (27), um dia após a parlamentar afirmar durante uma sessão da Câmara Municipal que não queria mais ver nordestinos no município. Assista ao vídeo no início da matéria.
O discurso que motivou a apuração ocorreu no plenário na segunda-feira (26). Na ocasião, a vereadora criticou pessoas que recebem benefícios públicos e comentou o resultado de uma votação, direcionando os ataques a pessoas da região Nordeste. Durante a fala, ela declarou que não gostaria de ver "um nordestino, um baiano" chegando à cidade. "Não estou dizendo que eu não vou mais ajudar. Mas eu não quero mais ver um nordestino, um baiano, vindo aqui na nossa cidade [...] Cuide agora da sua vida lá", afirmou.
A parlamentar também afirmou que os moradores locais teriam que sustentar outros estados e chegou a defender uma divisão do país. "Porque os baianos, os nordestinos, enfim, assim o quiseram. E nós, ordeiros trabalhadores aqui, vamos ter que sustentar aqueles municípios, aqueles estados. E eu estou quase concordando. Gente, deveríamos nos unir e fazer a divisão desse país", declarou.
Após a repercussão negativa do caso, Salete Kronbauer publicou uma nota de retratação na própria terça-feira. No documento, a vereadora reconheceu a inadequação de suas declarações e pediu desculpas às pessoas ofendidas. O pedido de investigação do MPPR foi encaminhado à polícia pela 2ª Promotoria de Justiça de Marechal Cândido Rondon com o objetivo de apurar detalhadamente os fatos e avaliar a adoção de eventuais medidas cabíveis.
A legislação brasileira estabelece que a prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito por procedência nacional é crime. De acordo com a Lei nº 7.716/1989, a pena prevista para essas infrações varia de um a três anos de reclusão, além de multa. O eventual enquadramento penal da vereadora dependerá da conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil.
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