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Metade dos candidatos nas eleições de 2026 se declaram negros

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Metade dos candidatos nas eleições de 2026 se declaram negros

Metade dos mais de 20 mil candidatos nas eleições deste ano se declararam negros, que somam as declarações de pardos e pretos. Houve 49,9% de candidatos negros, 48,7% de brancos, 0,9% de indígenas e 0,5% de amarelos.

Os dados são de levantamento do UOL com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) coletados até as 16h30 deste domingo (16). O registro terminou ontem, mas as informações ainda podem sofrer alterações devido ao processamento dos dados.

É a segunda maior proporção de candidatos negros da série histórica iniciada em 2014. Aquele foi o primeiro ano em que a cor foi informada pelos postulantes, quando 44,3% se declararam pretos ou pardos. Em 2022, a proporção foi ligeiramente maior do que neste ano, com 50,3% de candidaturas declaradas negras.

Proporção se aproxima da população como um todo. De acordo com o último Censo, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 55,5% dos brasileiros se declaram negros, sendo 45,3% pardos e 10,2% pretos.

Cargos mais altos têm menor proporção de candidatos negros. Desde 2014, as pessoas que se candidatam a presidente, governador ou senador têm sistematicamente se declarado mais brancas do que em outros cargos. Em 2026, apenas 23% dos postulantes à Presidência se declaram negros. É o mesmo percentual de 2022, assim como nos outros cargos. Só ao Senado houve melhora entre os registros: de 32,5%, em 2022, para 37,1% dos postulantes agora em 2026.

Registro de candidaturas de pessoas pretas decorre de vários fatores. É o que diz o sociólogo Wescrey Portes, coordenador de pesquisa no Dara (Dados e Análises do Racismo e do Antirracismo). Entre eles estão o aumento da politização do debate racial, a revalorização da identidade negra e as políticas de incentivo a essas candidaturas.

Mais negros em cargos altos ainda é desafio. "Há menos candidaturas pretas e pardas se elegendo em relação aos brancos [...]. Há uma certa concentração de poder dentro da estrutura política, que reflete a própria estrutura de desigualdades sociorraciais no Brasil", afirma Portes.

Políticas para candidatos negros estão em vigor desde 2021. Uma das regras é que o percentual de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundão eleitoral, destinado a essas candidaturas não pode ser inferior à proporção de pessoas negras no partido.

Regra deveria incentivar aumento das candidaturas. A Emenda Constitucional 111 diz que os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para a Câmara dos Deputados contarão em dobro no cálculo usado para distribuir os recursos do fundão eleitoral ou do Fundo Partidário.

Incentivo, porém, tem funcionado pouco, diz sociólogo. "Basta olhar o não cumprimento do valor proporcional de financiamento a essas candidaturas. Não se investe na candidatura de negros como se deveria."

Congresso tem perdoado partidos que descumprem regra. Em 2022, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 117, que anistiou legendas que deixaram de destinar recursos mínimos para candidaturas negras e femininas em eleições anteriores. Em 2024, houve outra anistia.

STF validou a anistia aos partidos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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