Crise de combustíveis na Rússia chega a Moscou e ameaça logística
Crise de combustíveis na Rússia chega a Moscou e ameaça logística - Além da falta de combustível na capital, cresce o temor com a qualidade da gasolina. Especialistas apontam danos a veículos, meses de espera nas oficinas e impactos cada vez maiores na economia russa.Ataques das Forças Armadas da Ucrânia a refinarias desencadearam uma nova crise de combustíveis na Rússia. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos 30 regiões já foram afetadas. Diferentemente da onda anterior de escassez de gasolina, que começou no fim de maio e durou até meados de julho, a crise atual atinge especialmente Moscou e os arredores da capital. Usuários de redes sociais relatam o problema. As redes de postos Gazprom Neft e Tatneft já restringiram a venda de combustíveis na capital russa.
"Não se pode dizer que não exista gasolina alguma. Mas a crise é perceptível. Não é apenas um problema pessoal, quando alguém não sabe se conseguirá sair da cidade e voltar. É também um problema econômico”, afirma Oleg Grigorenko, do portal russo 7x, em entrevista à DW.
Segundo o editor-chefe do site independente, classificado pelas autoridades russas como "agente estrangeiro" motoristas de táxi, serviços de entrega e o setor da construção já registram queda de demanda em várias regiões. O motivo seria a dependência de muitas cadeias logísticas em relação ao combustível.
"A logística das empresas privadas de construção depende fortemente da gasolina", explica Grigorenko.
Também na região sul de Krasnodar, segundo a imprensa local, formam-se filas de várias horas nos postos. As autoridades atribuem o problema a um suposto aumento da demanda durante o período de férias. Mas muitos moradores já falam em desastre para a temporada de verão.
"A atual Sochi, com sua tranquilidade e ritmo de vida desacelerado, lembra a época anterior aos Jogos Olímpicos, quando havia poucos carros nas ruas e a cidade tinha muito menos turistas e moradores. Mas há uma diferença: em Sochi não há gasolina", escreveu no Instagram o corretor de imóveis Igor Sakhartchenko, natural da cidade às margens do Mar Negro, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014.
Igor Ananskikh, primeiro vice-presidente da Comissão de Energia da Duma Estatal, declarou à emissora RTVI que o abastecimento de combustível deverá se normalizar em duas a três semanas.
Nikolai Korshenevski, porém, considera essa previsão improvável. O economista deixou a Rússia em protesto contra a guerra na Ucrânia e hoje vive no exterior. Em entrevista à DW, ele aponta uma queda da qualidade da gasolina.
Conhecidos lhe enviaram fotos de veículos exibindo mensagens de falha no motor provocadas por combustível contaminado.
"O carro simplesmente não liga mais e precisa ser levado à oficina. As mesmas pessoas me dizem que, mesmo em Moscou, há meses de espera para conseguir atendimento em oficinas. Depois disso, é preciso aguardar ainda mais meses por peças de reposição. Aparentemente, parte dos veículos não suporta a gasolina que está sendo colocada nos tanques", afirma.
"Há uma guerra em andamento, e não está claro o que está sendo produzido nem em que proporções os combustíveis estão sendo misturados".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.