Exposição em Salvador revela histórias por trás dos 3 Obás de Xangô
Cartas, fotografias, pinturas, músicas e documentos ajudam a reconstruir não apenas a amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi, mas também um período decisivo da formação do imaginário cultural da Bahia.
É a partir desse encontro entre arte, religiosidade e memória que a exposição 3 Obás de Xangô ocupa a nova unidade da CAIXA Cultural Salvador (Solar Ferrão, no Pelourinho), com visitação gratuita até 6 de dezembro.Inspirada no documentário homônimo de Sérgio Machado, a mostra reúne cerca de 70 obras de arte e, somadas fotografias, documentos e objetos, ultrapassa 110 itens.
Mais de 45 artistas de diferentes gerações integram o percurso, que parte da relação dos três homenageados com o candomblé para ampliar a discussão sobre o papel das comunidades de axé e, principalmente, das lideranças femininas negras na preservação da cultura afro-brasileira.
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A homenagem, no entanto, não aparece na exposição como um episódio isolado.
Para os curadores, compreender esse título exige olhar para a estrutura que possibilitou sua existência e para a atuação das mães de santo que transformaram os terreiros em espaços de resistência, articulação e produção de conhecimento.“O início da exposição tem como ponto de imersão essas cenas do candomblé da Bahia, dando enfoque principalmente para o papel das mães de santo na criação do Ministério de Xangô”, explica o curador Tiago Sant’Ana.A criação do corpo de obás, segundo ele, funcionou como uma estratégia de proteção e salvaguarda do candomblé diante de uma sociedade marcada pelo racismo religioso.
“Foi uma estratégia muito sofisticada criada por essas mulheres negras, triplamente estigmatizadas pelo gênero, pela raça e pela religiosidade”Muito além dos três amigosA amizade entre Jorge, Carybé e Caymmi aparece em cartas, fotografias e trabalhos realizados em colaboração, mas não encerra a narrativa da exposição.Para a curadora Mariana Vaz, um dos objetivos foi justamente evitar que a história da cultura afro-baiana fosse construída somente a partir desses três homens.
A relação deles com o candomblé marca tanto a criação artística quanto a vida cotidiana.
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