O discurso de Lula na ONU como estadista e com recados indiretos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adotar nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, um tom de estadista, com foco em temas internacionais, meio ambiente, agronegócio e soberania brasileira, mas também aproveitar o discurso para fazer referências indiretas ao cenário político nacional.
A avaliação é de aliados que acompanham as expectativas para a fala do presidente.
Segundo interlocutores, Lula não deverá citar nominalmente Jair Bolsonaro ou seus filhos.
A estratégia esperada é fazer referências mais amplas a soberania, ingerência estrangeira, democracia e aos que, na avaliação do governo, colocam interesses externos acima dos interesses brasileiros.
O Brasil mantém a tradição de ser o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, posição ocupada desde 1955.
Depois de Lula, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta será a 10ª vez que Lula fará o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU.
Pelo atual calendário político brasileiro, poderá também ser a última vez que ele ocupe a tribuna como presidente da República.
Meio ambiente e agronegócio Segundo os aliados, Lula deverá reforçar a ideia de que o Brasil pode conciliar a produção agropecuária com a preservação ambiental.
A intenção é apresentar o país como uma nação com responsabilidade sobre a proteção do meio ambiente, mas também com capacidade de ampliar sua produção e desenvolvimento.
O tema ambiental já é recorrente nos discursos de Lula na ONU.
Em 2024, o presidente defendeu a combinação entre desenvolvimento sustentável, proteção ambiental e produção de alimentos, além de destacar o papel brasileiro na transição energética.
Soberania sem citar Bolsonaro Embora não deva mencionar nominalmente os integrantes da família Bolsonaro, Lula deverá fazer referências ao momento de divisão política e às disputas envolvendo interesses estrangeiros.
Aliados esperam que o presidente faça uma defesa enfática da soberania brasileira e deixe claro que o país pode manter relações com outras nações sem se subordinar a nenhuma delas.
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