Candidatura de Carlos divide bolsonarismo em SC e expõe limite do sobrenome
A candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado divide o bolsonarismo em Santa Catarina e expõe os limites da influência do sobrenome do ex-presidente no estado. No domingo (9), Flávio Bolsonaro cobrou que a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que tenta a reeleição, declare apoio a Carlos, no capítulo mais recente de um racha que se arrasta desde outubro e revela a disputa por espaço dentro do bolsonarismo catarinense.
A cobrança foi feita nos comentários de uma publicação da deputada no Instagram. Ela havia postado um vídeo, gravado em maio, em que os dois aparecem juntos. "Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Messias Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro", escreveu o senador. "Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir para não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro."
Ana Campagnolo respondeu alegando estar comprometida com os objetivos definidos pelo partido no estado. Disse que está "à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha". E afirmou não ter recebido novas solicitações da sigla.
A deputada não deve se envolver na campanha de Carlos. Até a publicação desta reportagem, Ana não havia divulgado vídeo pedindo votos para Carlos. O UOL apurou que a equipe de Flávio está tendo dificuldades para acessar a parlamentar, que não atende telefonemas. Colegas de partido avaliam que, por ora, ela não tem nenhuma vontade de se engajar. Procurada pela reportagem, a deputada preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
Carlos Bolsonaro mudou-se para Santa Catarina em outubro de 2025 para disputar o Senado. A chegada do vereador carioca afetou o arranjo estadual que beneficiava o governador Jorginho Mello (PL).
A chapa ao Senado previa Carol De Toni (PL) e Esperidião Amin (PP). O arranjo favorecia o governador ao garantir mais uma sigla para sua coligação. Com Carlos, Amin sentiu-se escanteado e migrou para a chapa de João Rodrigues (PSD).
O rearranjo de vagas prejudicou diretamente os planos de Campagnolo de disputar a Câmara Federal. A candidatura de deputada federal permaneceu com Júlia Zanatta (PL).
Em entrevista a uma rádio local, Campagnolo disse que a chegada de Carlos poderia resultar na saída de De Toni do partido. O conflito escalou e envolveu, além do 02, Eduardo Bolsonaro e o senador Jorge Seif (PL-SC). Houve pedido de desculpas, mas Campagnolo nunca fez gesto de apoio a Carlos.
A deputada não pretende deixar o PL ou a direita conservadora. Seif, um de seus alvos principais, a chamou de "Joice Catarinense", referência a Joice Hasselmann, uma das principais vozes da campanha de 2018 que rompeu com o bolsonarismo e não se reelegeu em 2022. Campagnolo não cede no que ela mesma chama de "valores bolsonaristas" e o próprio diretório estadual reconhece sua força.
A hipótese mais provável é que o movimento acompanha uma tendência nacional: a construção de uma direita sem os Bolsonaro.
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