De 'verdadeiro presidente' a 'líder do Brasil': o que mudou na carta golpista de Flávio
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou três versões de uma carta golpista nesta quarta-feira, 28, após fugir do Brasil para Miami. As duas primeiras foram publicadas pelo blogueiro de extrema direita Paulo Figueiredo e a última, pelo candidato derrotado à Presidência da República.
O ex-presidenciável se autodeclarou o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" nos dois primeiros modelos do pronunciamento, embora não tenha apresentado provas de fraude eleitoral. No terceiro, recuou para a alcunha de "líder do Brasil".
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", escreveu inicialmente.
A primeira versão do manifesto também conta com um brasão escrito "Estados Unidos do Brazil", primeiro nome oficial do País -com grafia em inglês- usado no período republicano, e 15 de novembro de 1889. Tanto o emblema quanto a data remontam à Proclamação da República e ficaram em vigor até 1968, durante a Ditadura Militar.
Figueiredo trocou o brasão para a versão atual no segundo modelo, em que se lê "República Federativa do Brasil", quinze minutos depois de distribuir o texto. O próprio Flávio divulgou o modelo, até agora, final do documento, em uma publicação no X (ex-Twitter).
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil", corrigiu-se.
Não houve mudanças no restante do conteúdo. Flávio assume o tom golpista ao afirmar, sem provas, que houve "fraude eleitoral" no segundo turno. O discurso dele reflete o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai dele, que já questionou a lisura das urnas em diversas ocasiões.
Numa virada histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reelegeu com 51,78% dos votos válidos no último domingo, 25. Flávio, que havia largado à frente no primeiro turno, conquistou 48,22% do eleitorado. O petista teve 4,4 milhões de votos a mais que o adversário.
O senador já declarou que não reconhece resultado das urnas. A posição dele vai na contramão do próprio partido, do candidato a vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos aliados mais próximos.
"Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático. Seguiremos acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições", informou o PL em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Para Flávio, houve "atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula" ao estender em duas horas o horário de votação. A decisão inédita do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin ocorreu após pedidos das duas chapas.
O presidenciável derrotado disse, novamente sem provas, que a decisão acrescentou 10 milhões de votos a Lula.
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