Migrantes criam raízes no México após bloqueio de Trump ao 'sonho americano'
Milko García conseguiu um agendamento para comparecer à fronteira dos Estados Unidos e solicitar asilo em 22 de janeiro de 2025. Dois dias antes, Donald Trump havia retornado ao poder e encerrado esse mecanismo migratório.
O venezuelano de 29 anos acabou, então, retido na cidade fronteiriça de Tijuana, onde se estabeleceu e começou a deixar para trás a ideia do "sonho americano".
"Surgiram boas oportunidades para mim e me sinto à vontade no México", garante à AFP García, que trabalha como corretor de imóveis.
Trump retornou à presidência dos Estados Unidos com um discurso anti-imigração, um tema que volta a ocupar um lugar central na campanha para as eleições legislativas de meio de mandato em 3 de novembro.
Ele fechou a fronteira, intensificou as operações contra imigrantes e as deportações. Além disso, determinou o fim do CBP One, um aplicativo que permitia agendar a solicitação de proteção na fronteira.
Em janeiro de 2025, o CBP One contava com 270 mil casos em aberto; 30 mil deles já tinham agendamento para cruzar a fronteira a partir do México.
Entre eles estavam García e seu irmão. A notícia deixou atônitos os migrantes reunidos diante da passagem de fronteira em Tijuana. "Pensamos: 'Agora não dá, mas talvez daqui a alguns meses seja possível'", recorda García.
Por enquanto, García descarta sair do México, mesmo que o partido de Trump perca a presidência em 2028. Uma travessia clandestina nem lhe passa pela cabeça: "Pedem 10 mil dólares (cerca de 53 mil reais); é melhor investir em algo" em Tijuana, reflete.
Os abrigos em Tijuana, outrora lotados, fecharam ou recebem pouca gente. É o caso do 'Movimiento Juventud 2000', que atualmente abriga dez pessoas.
Trump "conseguiu deter os fluxos em massa", reconhece seu diretor, José María García, que se esforça para manter o local aberto com doações mínimas.
Os poucos migrantes que chegam arriscam-se em travessias clandestinas ou são presas de criminosos. "Eles vão para lugares mais distantes; muitos talvez tenham alcançado seu objetivo (...) ou acabam desaparecidos", explica.
Em outra frente, a organização 'Al Otro Lado' oferece assessoria jurídica. Na época do CBP One, eles estavam sobrecarregados.
"Foi muito difícil fazer com que (os migrantes) entendessem que aquilo tinha acabado, que a fronteira estava fechada", recorda a vice-diretora Soraya Vázquez.
Agora, eles prestam assessoria a dezenas de pessoas que buscam regularizar sua situação em meio a um emaranhado burocrático.
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