‘Serra Pelada, 1986’: imagem de Sebastião Salgado marca homenagem da RFI aos 200 anos da fotografia
Che Guevara, Praça da Paz Celestial, Serra Pelada. No projeto global que celebra os 200 anos da fotografia, cada redação da Rádio França Internacional escolheu uma imagem capaz de condensar um país e suas rupturas. O Brasil elegeu “Mina de Ouro de Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil, 1986”, de Sebastião Salgado, incluída pelo The New York Times entre as fotos que definem a modernidade.
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Em 2026, a França celebra o bicentenário da primeira fotografia conhecida, realizada por Nicéphore Niépce. Para marcar os 200 anos desse gesto inaugural, a RFI lança a série O Mundo em Imagens : 18 cliques no total, escolhidos por cada uma das redações da emissora, reunidos para investigar como a fotografia continua moldando a compreensão do presente, revelando conflitos, iluminando memórias e abrindo novas maneiras de enxergar o real.
Nicéphore Niépce é considerado o pai da fotografia porque foi o primeiro a conseguir fixar permanentemente uma imagem produzida pela luz. Em 1826 ou 1827, em Saint‑Loup‑de‑Varennes (centro), ele realiza Vista da Janela em Le Gras , o registro mais antigo que chegou até nós. Obcecado pela ideia de automatizar a visão humana, Niépce trabalhava com heliografia, usando betume da Judeia que endurecia ao sol – processo que exigia horas de exposição. Em carta ao irmão, ele resume sua ambição com uma frase que atravessa dois séculos:
Sua descoberta abriu caminho para a parceria com Louis Daguerre e inaugurou uma revolução cultural, científica e política que transformou a memória, o jornalismo, a arte e a forma como o mundo se vê.
A imagem escolhida pela redação brasileira da Rádio França Internacional para o projeto que celebra os 200 anos da fotografia é um ponto de inflexão na maneira como o Brasil foi retratado no fim do século 20. “Mina de Ouro de Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil, 1986”, de Sebastião Salgado, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da fotografia documental contemporânea.
A força da cena desta imagem icônica, conhecida popularmente como “Formigueiro Humano”, não está apenas na escala monumental do garimpo, mas na capacidade de revelar, num único quadro, a engrenagem social que sustentou uma época.
A cratera amazônica, vista de cima, parece um organismo vivo. Homens comprimidos em degraus improvisados sobem e descem sem parar, carregando sacos, ferramentas e expectativas. O enquadramento escolhido por Sebastião Salgado elimina o horizonte e aprisiona o olhar dentro da mina, obrigando o espectador a percorrer a massa de trabalhadores como se estivesse diante de uma máquina humana.
A crítica internacional consagrou a imagem como símbolo da relação entre trabalho, corpo e economia num período marcado por transições políticas e pela promessa de enriquecimento rápido. Em 2023, o jornal The New York Times a incluiu entre as 25 fotografias que definem a modernidade desde 1955 – reconhecimento que reforça seu impacto global.
A série Serra Pelada ocupa um lugar decisivo na trajetória de Salgado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.