Discord acata decisão da ANPD e suspende lives no Brasil
O Discord anunciou, ontem, que suspendeu as transmissões ao vivo em sua plataforma, seguindo uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), em resposta às falhas identificadas na proteção de crianças e adolescentes dentro do aplicativo.
A decisão ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos, em julho, durante uma transmissão, caso que levou autoridades a ampliarem a fiscalização sobre os mecanismos utilizados pela empresa para identificar situações de risco.
Leia também: Discord suspende transmissão ao vivo depois de decisão da ANPD A determinação da ANPD, anunciada em 12 de agosto, estabeleceu prazo de três dias úteis para que o Discord interrompesse a ferramenta Go Live, usada para compartilhar vídeos e telas em tempo real dentro dos servidores.
Recursos como mensagens, chamadas de voz e participação em comunidades continuam disponíveis para os usuários brasileiros.
O episódio investigado revelou uma sequência de falhas no sistema de resposta.
Segundo relatório encaminhado pelo Discord ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a transmissão teve início por volta das 2h30.
O primeiro alerta relacionado a risco iminente apareceu às 3h50, mas o servidor somente foi retirado do ar às 4h15.
O intervalo entre a identificação do problema e a interrupção da atividade passou a ser um dos pontos analisados pelas autoridades.
Leia também: Discord é proibido de fazer transmissões ao vivo Na avaliação da ANPD, a estrutura de proteção adotada pela empresa não foi suficiente para impedir ou interromper situações perigosas envolvendo menores de idade.
Em comunicado, o Discord afirmou que trabalha "de boa-fé" com a agência para restabelecer a funcionalidade.
Também informou que tem colaborado com autoridades policiais na investigação do caso e que trabalha para retirar criminosos da plataforma e ampliar a segurança destinada aos adolescentes.
Controle de riscos O especialista em crimes cibernéticos Rodrigo Fragola avalia que o episódio não deve ser tratado apenas como uma falha técnica isolada.
Para ele, existe uma questão relacionada à estrutura de segurança e governança do serviço.
"Uma plataforma pode não controlar tudo o que seus usuários fazem, mas precisa controlar os riscos que a sua própria tecnologia cria", afirmou.
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