PL teme que fuga e carta de Flávio atrapalhem atuação da sigla no Congresso
A carta de teor golpista divulgada nesta quarta-feira (28) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode prejudicar a imagem do PL perante a população e comprometer a atuação da legenda como oposição no Congresso Nacional, avaliam integrantes do partido.
O incômodo com o documento foi admitido na manhã desta quinta-feira (29) pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, Valdemar afirmou que não gostou da carta divulgada pelo senador .
Segundo fontes do Congresso, o PL vive seu melhor momento para exercer um papel relevante como oposição e quer ser levado a sério pela população e pelas instituições. Por isso, não quer ter sua atuação comprometida por discursos como o de Flávio, que colocam em xeque o processo eleitoral brasileiro.
Integrantes do partido ressaltam que foi justamente esse processo eleitoral que garantiu à legenda bancadas expressivas na Câmara dos Deputados e no Senado para a próxima legislatura.
Dentro do PL, há uma ala mais próxima da família Bolsonaro, chamada por alguns de "puro-sangue". De outro lado, estão os integrantes mais ligados aos interesses partidários, responsáveis, por exemplo, pela articulação de alianças e pela construção de apoios nas votações. Embora publicamente demonstre lealdade à família, esse segundo grupo já vinha manifestando, nos bastidores, insatisfação com a prevalência dos interesses dos Bolsonaro sobre os da própria legenda.
Nos últimos anos, o partido precisou administrar as crises decorrentes das acusações de golpismo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e os desdobramentos dos ataques de 8 de janeiro de 2023. A avaliação entre integrantes da legenda é que o PL não quer voltar a arcar com os custos políticos de discursos que coloquem em dúvida o compromisso do partido com as regras democráticas.
Na avaliação de integrantes do PL, o discurso radical pode mobilizar uma parcela do eleitorado, mas os riscos políticos são elevados. Além de prejudicar a imagem da legenda, esse tipo de posicionamento pode dificultar a construção de alianças e a articulação de maiorias no Congresso.
Após a derrota de Flávio Bolsonaro, a estratégia era consolidá-lo como principal nome da oposição no país. A fuga do senador e, posteriormente, a divulgação da carta de teor golpista, porém, mudaram os planos. Agora, segundo um dos principais nomes da legenda, o PL terá de se reorganizar.
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