“Nenhum crédito sequer pôde ser confirmado”, diz PF sobre Master e BRB
PF afirma que análise do Banco Central encontrou indícios de carteiras inexistentes; BRB adquiriu R$ 12 bilhões em créditos do Master
O Banco Central não conseguiu confirmar a existência de créditos que deram origem a carteiras negociadas pelo Banco Master e cedidas ao Banco de Brasília, segundo documento da Polícia Federal.
Ao relatar o resultado de uma auditoria feita pela autoridade monetária, a PF afirma que a análise dos contratos relacionados às carteiras negociadas pela Tirreno, “empresa de fachada controlada pela Sociedade de Crédito Direto Cartos” , encontrou “indícios cabais” de que os créditos cedidos ao BRB eram inexistentes.
“Ao examinar os contratos que deram ensejo às carteiras de crédito negociadas pela Tirreno, o BCB consolida de maneira técnica indícios cabais de que as carteiras cedidas ao BRB eram inexistentes, nenhum crédito sequer pôde ser confirmado” , afirma a PF.
Em outra representação, a corporação afirma que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) do Banco Master. O valor corresponde ao conjunto de operações descrito pela PF nessa outra peça, mas o documento que relata a auditoria do BC não estabelece expressamente que a conclusão sobre os créditos não confirmados corresponda à totalidade dos R$ 12,2 bilhões.
Segundo a PF, dos R$ 12,2 bilhões adquiridos pelo BRB, R$ 4,05 bilhões foram comprados depois de questionamentos do Banco Central sobre a originadora dos créditos. A corporação afirma ainda que o próprio banco público admitiu ter adquirido carteiras sobre as quais “era impossível fazer auditoria por falta de documentos”.
O Poder360 procurou a assessoria do Sociedade de Crédito Direto Cartos por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das informações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A Tirreno aparece nas investigações como responsável pela cessão ao Master de créditos utilizados na produção das CCBs posteriormente negociadas com o BRB.
Segundo informações do Banco Central e do BRB citadas pela PF, os créditos cedidos pela Tirreno ao Master foram sido originados por 20 correspondentes da Cartos. A corporação afirma haver evidências de que as 2 empresas “se confundem” e classifica a Tirreno como uma pessoa interposta da Cartos.
Entre os elementos citados pela PF estão o fato de os fundadores da Tirreno serem sócios da Cartos, a existência de um acordo operacional entre as empresas e a referência, em contrato com o Master, à Cartos como controladora da Tirreno.
A PF afirma ainda que a Cartos permitiu que o Master utilizasse seus bancos de dados para emitir CCBs referentes a créditos que já haviam sido cedidos a outros fundos de investimento.
A PF afirma que o BRB já enfrentava questionamentos do Banco Central sobre seus procedimentos de avaliação de créditos antes de parte das aquisições.
Em 10 de fevereiro de 2025, o banco público assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o BC.
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