Dor pós-COVID: estudo explica os mecanismos ligados à sequela, que afeta até 40% das pessoas que têm a doença
Experimentos com camundongos mostram como a proteína Spike pode desencadear uma resposta imunológica capaz de manter a sensibilidade à dor mesmo após o fim da resposta inflamatória.
Pexels Durante a segunda onda de COVID-19 no Brasil, minha colega (e coautora deste texto), Giselle Passos, contraiu a doença.
Mesmo após se recuperar da fase aguda da infecção, alguns sintomas permaneceram.
Entre eles, dores que ela não sentia antes da COVID-19, incluindo muscular e no nervo ciático, que exigiram tratamento com medicamentos e fisioterapia.
Giselle e eu somos professores e pesquisadores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Dividimos um laboratório onde estudamos, entre outros temas, os mecanismos envolvidos na dor.
Por isso, a experiência vivida por ela despertou uma pergunta que, naquele momento, começava a ganhar cada vez mais importância: Por que algumas pessoas continuam sentindo dor mesmo após se recuperarem da COVID-19? Na mesma época, estudos realizados em nosso laboratório já mostravam que a proteína Spike, presente na superfície do vírus SARS-CoV-2, era capaz de provocar, em animais, déficits cognitivos semelhantes aos observados em alguns pacientes com COVID longa.
Essa descoberta nos levou a pensar que a Spike também poderia estar envolvida em outro sintoma persistente da doença: a dor.
A dor persistente é um dos sintomas comuns relatados por pessoas com COVID longa.
Estudos indicam que, durante a fase aguda da infecção, 15% a 20% dos pacientes apresentam dores musculares.
Depois da recuperação, até 40% permanecem com dores persistentes por meses.
Mas como e por que isso acontece? Essa pergunta motivou nossa pesquisa.
Em um estudo com camundongos, investigamos se a proteína Spike do SARS-CoV-2 poderia, por si só, desencadear mecanismos capazes de manter a dor, mesmo após o desaparecimento da inflamação inicial.
O trabalho acaba de ser publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e outras agências de fomento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.