Pequenos partidos, grandes negócios
Quando esquerda e direita contam dinheiro unidas, encurtam-se as diferenças ideológicas. Em duas semanas, dois partidos foram parar nas manchetes de ponta-cabeça. Primeiro o PCO, Partido da Causa Operária , de extrema esquerda. Agora, o PRTB, Partido Renovador Trabalhista Brasileiro , de extrema direita. Ambos são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de desvio de verbas do fundo eleitoral.
No PRTB, legenda que acaba de lançar a candidatura presidencial de Pablo Marçal, o inelegível, apura-se a malversação de R$ 750 mil. A verba passou por um escritório de advocacia. Transitou por duas empresas. E foi parar nas contas do presidente da legenda, Leonardo Avalanche, da mulher dele e do filho do casal, uma criança de 13 anos.
No PCO, a suspeita envolve repasses a empresas e pessoas ligadas à cúpula do partido. Numa operação, pagou-se R$ 1,4 milhão a uma gráfica do genro do presidente do partido, Rui Pimenta, outro candidato ao Planalto. Alvo de uma batida de busca e apreensão, Pimenta acusou a PF de truculência: "O pior de tudo é que quebraram o vidro do quadro do Trotsky".
PRTB e PCO não têm votos. Mas isso não impede que suas diferenças se igualem no acesso aos fundos partidários. Não há diferença ideológica que resista à tentação de converter pequenos partidos em grandes negócios.
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