Brasil pode ter milhares de mortes causadas pelo El Niño, alerta pesquisa
Projetado para bater recordes históricos, o El Niño deste ano pode levar cerca de 451 mil pessoas à morte em todo o mundo, com um aumento de condições relacionadas ao calor extremo.
Segundo a estimativa do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, países em desenvolvimento devem concentrar o maior número de óbitos, incluindo Brasil.
Definido pelo aumento da temperatura do pacífico, o fenômeno iniciado em junho tem pico previsto para o final deste ano, e caminha para ser o mais intenso já registrado.
Os pesquisadores estimam que as temperaturas globais ficarão 1,2°C acima do normal nos próximos meses, resultando em 44% mais dias de calor extremo do que em um ano comum.
Com isso, a região do Sahel, na África, pode registrar 66,8 mil mortes adicionais por calor em comparação com um ano normal, metade delas na Nigéria.
Projeta-se ainda um adicional de 19,3 mil mortes na Indonésia, 19,4 mil nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, 15,8 mil na Índia e até 1 3,3 mil no Brasil.
Para as projeções, o instituto utilizou pesquisas sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade em 24.378 regiões, levando em consideração o clima local e a vulnerabilidade.
Em seguida, combinaram essas descobertas com previsões de temperatura de longo prazo para estimar o excesso de mortes decorrentes do El Niño em comparação com a média do período de 1996 a 2025.
Continua após a publicidade O relatório foi divulgado um dia após as Nações Unidas alertarem que o El Niño representa uma ameaça significativa à saúde global.
Segundo os pesquisadores, as projeções podem ajudar governos e organizações humanitárias a adotar medidas preventivas para proteger a população, incluindo alertas de calor, centros de resfriamento e pontos de hidratação.
“Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde ações emergenciais podem ser adotadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses”, disse Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab.
Continua após a publicidade (Com AFP) Publicidade
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