Exportações de SC crescem 17,3% enquanto vendas aos EUA recuam
A instabilidade do comércio internacional aumenta o valor estratégico de empresas capazes de operar em diferentes mercados.
O crescimento das exportações catarinenses em agosto ocorreu mesmo com a retração das vendas para um de seus principais mercados: os Estados Unidos.
No primeiro mês de vigência das novas tarifas adotadas pelo país, os embarques catarinenses para o mercado americano recuaram 5%. Em outros destinos, porém, setores importantes da economia estadual avançaram. As exportações de carne suína para o Japão praticamente dobraram, de US$ 29 milhões para US$ 56,5 milhões. Com a retomada das compras chinesas após o fim das restrições sanitárias relacionadas à gripe aviária, as vendas de carne de aves para a China chegaram a US$ 29,7 milhões.
Essa realidade não significa que um mercado simplesmente substituiu outro. Produtos, compradores e circunstâncias comerciais são diferentes.
Mas ajudam a enxergar uma característica empresarial importante: ter acesso a mercados diferentes aumenta a capacidade de reação quando as condições comerciais mudam .
A internacionalização já foi tratada, principalmente, como estratégia de expansão. Exportar significava encontrar compradores fora do país e acrescentar receita a uma operação já estabelecida.
A instabilidade do comércio internacional adicionou outra função a essa estratégia. As novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos mostram como uma decisão tomada fora da empresa pode alterar rapidamente as condições de acesso a um mercado importante.
Quando uma parcela relevante das vendas depende de poucos mercados, mudanças externas chegam rapidamente à operação.
A diversificação amplia as alternativas disponíveis quando o risco aparece.
Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras cresceram 10,3%, alcançando US$ 250,86 bilhões. No mesmo período, porém, as vendas para os Estados Unidos caíram 9,7%.
As exportações brasileiras para a China avançaram 15% e chegaram a US$ 77,07 bilhões. Para a Índia, o crescimento foi de 98,4%. México, Japão, Alemanha e outros destinos também ampliaram suas compras do Brasil.
Isso não permite concluir que empresas brasileiras simplesmente transferiram vendas dos Estados Unidos para esses países. Comércio exterior envolve produtos e cadeias completamente diferentes.
O que os dados mostram é algo mais relevante: o crescimento das exportações brasileiras ocorreu mesmo com a retração de um de seus principais parceiros comerciais.
Os números podem causar a impressão de que mudar o destino de uma venda é apenas uma decisão comercial.
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