Maior acesso a armas aumentou violência política no Brasil, aponta socióloga
Embora não registre taxas tão altas como a Colômbia , por exemplo, onde os números apontam mais de 160 mortes por conflitos políticos só em 2025, o Brasil tem se tornado um país essencialmente mais perigoso para ocupar algum cargo público — especialmente em cidades menores.
Em duas décadas, de 2003 a 2023, 760 pessoas — entre políticos e ativistas — foram assassinadas por conflitos políticos no país, que vão desde disputas por propriedade de terra até questões propriamente institucionais, como gestão de recursos locais ou concorrências por contratos públicos.
E são nos períodos eleitorais , como o que estamos vivendo, que os casos crescem.
"A priori, não vimos isso acontecer neste ano ainda, mas o histórico indica que esse tipo de crime fica mais comum durante o segundo semestre do ano da eleição", observa a socióloga Angela Alonso, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do CEBRAP.
Ela liderou o estudo que foi publicado há alguns meses pela Global Initiative Against Transnational Organized Crime, sediada na Suíça.
Agora, está terminando de organizar um observatório sobre violência política no Brasil, que será lançado em uma plataforma online no segundo semestre.
O projeto será administrado pela USP e pelo CEBRAP junto ao Afro-Latin American Research Institute (ALARI), da Universidade de Harvard, nos EUA.
Alguns números do relatório chamam a atenção, como o fato de 60% das vítimas não ocuparem cargos políticos nem serem candidatas na época em que foram executadas.
O estudo também mostra que 46% das mortes de políticos tinham ligação com temas institucionais locais, com crises políticas entre adversários ou questões ligadas a contratos públicos.
É assim que, para Alonso, para além da polarização — ou divisão — social do país entre lulistas e bolsonaristas, que deu a tônica das últimas duas eleições gerais, a violência política no Brasil se liga mais a disputas locais.
Elas se tornaram fatais porque, nos últimos anos, mais gente teve acesso a armas de fogo.
"Existe uma disputa constante pelo orçamento estatal, e não só pelos recursos em si, mas também pelas relações que o Estado permite estabelecer", afirma à BBC News Brasil.
"Contratos estatais, por exemplo.
Nas cidades pequenas, quando o prefeito quer contratar uma empresa de prestação de serviço, ele põe três ou quatro atores diferentes, no máximo, em concorrência.
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